Nos últimos anos, casos graves como câncer de mama, de útero e de ovário, tem afetado cada vez mais mulheres no Brasil. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) analisou o impacto financeiro que essas doenças causam nos lares brasileiros, levando em conta que quase metade são liderados por mulheres.
O Dr. Ramon Andrade de Mello, médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil afirma que as sessões de quimioterapia podem chegar a 10 mil reais e se for o caso de precisar fazer 12 ciclos, o tratamento fica em torno dos 120 mil reais.
Segundo a pesquisa, o câncer de mama é o tipo mais frequente entre as brasileiras, com uma projeção oficial de 78.610 novos casos anuais para o triênio de 2026 a 2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminina é o mais incidente no país.
Outros diagnósticos como, câncer de colo do útero, câncer do corpo do útero e câncer do ovário, também apresentaram aumento com a projeção do instituto.
Os efeitos dessas doenças não são vistos apenas na saúde das mulheres, mas também na dinâmica financeira dentro de suas casas durante o tratamento. O tema surge a partir do estudo de Dados do Panorama do Censo Demográfico 2022 (IBGE), que apontaram que 49,1% — cerca de 36,6 milhões — dos domicílios brasileiros têm uma mulher como pessoa responsável.
Em 2010 esse percentual era de 38,7%, mostrando um crescimento expressivo em apenas 12 anos.
Afastamento do trabalho e perda de renda
O especialista também trouxe dados sobre as moradias do país. “O custo para sustento do lar depende das classes sociais de cada pessoa” aponta, mas que na maioria das vezes são uma média de brasileiras que ganham apenas 2 salários mínimos, isso faria com que as pacientes precisassem recorrer a recursos públicos como pensões para poder pagar suas despesas.
Isso faz com que as mulheres com câncer, precisem se afastar quando vão para a quimioterapia, por conta dos efeitos colaterais, risco de infecção e um risco de fatores que o paciente não consegue aguentar e acaba passando mal.
Aumento de casos no Brasil
Câncer de mama: o número estimado de casos novos de câncer de mama no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 78.610 casos, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres. O maior risco estimado é observado na região Sudeste, de 88,29 por 100 mil mulheres. O risco é de 77,91 casos por 100 mil na região Sul; de 61,32 casos por 100 mil na região Centro-oeste; de 58,02 casos por 100 mil na região Nordeste; e de 31,28 casos novos por 100 mil mulheres na região Norte.
Câncer colo do útero: o número estimado de casos novos do câncer do colo do útero para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 19.310, com risco estimado de 17,59 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero ocupa a sexta posição entre os tipos mais incidentes de câncer. Nas mulheres, é o terceiro câncer mais incidente. Quanto à distribuição geográfica, é o segundo mais incidente nas regiões Norte (22,79 por 100 mil mulheres) e Nordeste (20,76 por 100 mil mulheres). Na região Centro-oeste (19,58 por 100 mil mulheres), ocupa a terceira posição; na região Sul (17,72 por 100 mil mulheres), a quarta; e, na região Sudeste (14,06 por 100 mil mulheres), a quinta posição.
Câncer do corpo do útero: o número estimado de casos novos de câncer do corpo do útero no Brasil, para o triênio de 2026 a 2028, é de 9.650 casos, com um risco estimado de 8,79 casos novos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de corpo do útero ocupa a 16.ª posição entre os tipos mais incidentes de câncer. Entre as mulheres, é o sexto mais incidente. Quanto à distribuição geográfica, nas regiões Sudeste (11,54 por 100 mil mulheres) e Centro-oeste (7,92 por 100 mil mulheres), ocupa a sexta posição; na região Nordeste (7,28 por 100 mil mulheres), a oitava. Nas regiões Sul (7,49 por 100 mil mulheres) e Norte (3,15 por 100 mil mulheres), ocupa a décima e 11.ª posições, respectivamente.
Câncer do ovário: o número estimado de novos casos de câncer de ovário no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 8.020 casos, com um risco estimado de 7,33 casos novos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de ovário ocupa a 19.ª posição entre os tipos mais incidentes de câncer. Entre as mulheres, é o oitavo câncer mais incidente. Nas regiões Sudeste (8,05 por 100 mil mulheres), Nordeste (7,43 por 100 mil mulheres) e Norte (4,30 por 100 mil mulheres), é o sétimo tipo de câncer mais incidente. Ocupa a oitava e a nona posições nas regiões Centro-oeste (6,10 por 100 mil mulheres) e Sul (7,55 por 100 mil mulheres), respectivamente.
SUS, tratamento e acesso à tecnologia
Por se tratar de um tratamento que demanda tecnologias avançadas para realização de radioterapias, radioscirurgia estereotáxica, ou até mesmo uso de um aparelho também chamado Gamma Knife, que realiza o processo de cirurgia estereotáxica virtual sem abrir o paciente, a rede pública brasileira não oferece os recursos necessários e as mulheres acabam precisando tirar do próprio bolso.

