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Entenda como a nova ameaça dos EUA pode atingir parceiros do Irã

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Entenda como a nova ameaça dos EUA pode atingir parceiros do Irã

O governo dos Estados Unidos anunciou novas medidas econômicas contra o Irã, mirando ativos digitais, empresas de tecnologia e o setor de transportes. Cerca de 60 pessoas e entidades ligadas a Teerã foram identificadas como alvos das ações, segundo Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano.

A correspondente da CNN em Nova York, Priscila Yazbek, relatou que, durante coletiva de imprensa, Bessent foi questionado sobre possíveis sanções a bancos chineses conhecidos por processar petróleo iraniano.

“Scott Bessent disse que ‘ninguém está além do alcance das sanções dos Estados Unidos‘ e, sem falar sobre a China diretamente, disse que ‘a melhor maneira de se envolver com os países é por meio da diplomacia silenciosa'”, relatou Yazbek durante o Bastidores CNN desta segunda-feira (24).

Entre os alvos das novas ações estão redes de empresas intermediárias e embarcações da chamada “frota fantasma”, espalhadas pelos Emirados Árabes Unidos, Hong Kong, China, Singapura, Suíça e Europa. Segundo Yazbek, essas embarcações seriam responsáveis por transportar petróleo iraniano para outros países.

A China compra até 90% das exportações de petróleo iraniano e utiliza pequenas refinarias independentes para processar o produto. “Seria difícil para os Estados Unidos conseguir rastrear esse petróleo”, observou Yazbek.

Além disso, o Tesouro norte-americano citou a atuação da OFAC (Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA), departamento que mira indivíduos e empresas que realizam negociações com a China para estrangular economicamente o regime iraniano.

“Mas isso é mais do mesmo do que já vem sendo feito pelo governo Trump desde que eles anunciaram sanções no ano passado, e isso não tem surtido o efeito esperado de concessões feitas pelo regime iraniano”, destacou a correspondente.

Irã endurece discurso

Do lado iraniano, o novo conselheiro do líder supremo, Mohsen Rezaei, considerado linha-dura, declarou ao longo do fim de semana que não haverá concessões e que “a guerra econômica dos Estados Unidos deve ser um fracasso“.

Rezaei afirmou ainda que países que cooperarem economicamente com os Estados Unidos estarão “sujeitos a enfrentar também o Irã num confronto amplo”.

“Há análises de que o Irã estaria disposto a elevar as ofensivas e a escalada da guerra“, afirmou Yazbek.

A correspondente lembrou que o Irã já está sujeito a sanções por parte dos Estados Unidos e de outros países desde a Revolução Islâmica de 1979, há quase 50 anos. “E isso não tem sido suficiente para retirar os aiatolás do poder ou trazer algum tipo de mudança significativa no regime ou no programa nuclear.”

O governo iraniano já enfrentou situações semelhantes anteriormente e, segundo Yazbek, não demonstra preocupação com os impactos que as sanções possam causar à sua população.

Segundo a correspondente, caso as sanções consigam atingir a China de alguma forma, Pequim ainda dispõe de uma carta importante: os minerais críticos. Essa estratégia já teria levado o governo Trump a recuar em uma disputa comercial relacionada a tarifas.

“São estratégias que já foram usadas antes, mas não parece ser algo que vai trazer uma mudança significativa no curso desse conflito”, afirmou.

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