A possibilidade de um “Super El Niño” nos próximos meses colocou cidades brasileiras em alerta. Para ajudar os municípios a enfrentar os riscos, a Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia com orientações voltadas à redução dos impactos de enchentes, secas, queimadas e outros eventos climáticos extremos.
De acordo com o analista de Clima e Meio Ambiente Pedro Côrtes, o principal recado do documento é que os municípios precisam agir de forma preventiva, e não reativa.
“É importante que os municípios adotem políticas de prevenção e não de reação aos grandes eventos, porque muitas vezes a reação chega tarde, já pessoas perderam vida e patrimônio, e isso poderia ser evitado com medidas antecipatórias“, afirmou Côrtes ao CNN Novo Dia desta segunda-feira (24).
O guia orienta que cada município avalie, de forma integrada, quais impactos climáticos podem atingir sua área, seja urbana ou rural, e quais recursos estão disponíveis para mitigá-los.
Quando os recursos locais forem insuficientes, os municípios devem buscar apoio junto aos governos estadual e federal. “Muitos municípios são pequenos e não têm uma equipe técnica muito avançada”, observou Côrtes.
O analista ressaltou que o fenômeno já está em curso e tende a se intensificar com a chegada da primavera e do verão.
“As chuvas vão retornar para várias regiões. Há regiões que já estão sendo penalizadas, como é o caso do Sul, e, infelizmente, há o prognóstico de que isso possa piorar, não só as chuvas no Sul, mas também as temperaturas muito extremas nas regiões centrais do Brasil”, destacou o analista.
Côrtes mencionou também que regiões da Amazônia altamente dependentes do transporte fluvial serão uma das mais vulneráveis ao El Niño. A diminuição do nível das águas dificulta a distribuição de alimentos e combustível para os moradores.
“Precisa-se pensar em termos logísticos para que não se espere o impacto acontecer. É já começar a pensar nisso hoje, inclusive com reservas estratégicas, para poder atender a população de imediato”, disse.

