Após um ano de preparação dedicada apenas ao Mr. Olympia, maior campeonato de fisiculturismo do mundo, a atleta Wellness Isa Pereira Nunes, campeã em 2024 e vice na última edição, promete trazer a melhor versão de sua carreira neste ano, mirando recuperar o título mundial da categoria.
“Esse ano eu vou levar a melhor versão da minha carreira, em questão de glúteos, linha de cintura, tudo. E fisiculturismo é isso, né? É você se superar, é você amar o que você faz, você curtir o processo”, garantiu.
No ano passado, a também brasileira Eduarda Bezerra superou Isa Pereira e venceu o título da Wellness na competição, que é considerada a “Copa do Mundo” da modalidade.
A campeã conquistou o título pela primeira vez, mantendo a hegemonia brasileira na categoria. No mesmo ano, ela já havia vencido a rival no Arnold Classic Ohio.

Em relação a derrota, Isa admitiu que apesar de ter ficado chateada, olhou para o trabalho que foi feito e soube que havia feito tudo o que estava ao seu alcance.
Fiquei em segundo lugar, mas já desci do palco pensando: vou pegar o feedback, vou trabalhar, vou melhorar e, no ano que vem, estarei aqui de volta (…) por ser atleta há 11 anos e já ter competido em mais de 35 campeonatos, passei por todas as posições. Sei lidar bem com uma derrota, já perdi muito e já ganhei muito
Isa Pereira Nunes, Miss Olympia em 2024 e atleta Wellness
A quase quatro semanas de subir no Olympia, que este ano acontece entre 24 e 27 de setembro, em Las Vegas (EUA), Isa abriu os detalhes de sua preparação e rotina em entrevista a CNN.
Além dos treinos intensos e 40 a 45 minutos de cardio, Isa também realiza cerca de uma hora de treino de poses diariamente, visando a melhor apresentação do físico no palco.
Diferentemente de anos anteriores, neste ano a fisiculturista não subiu em outras competições, como no Arnold Ohio, e se dedicou inteiramente ao Mr. Olympia.
“Depois do último Olympia, o feedback que recebi não foi sobre um músculo específico. Foi uma questão de pose de frente e também estrutural. Eles falaram que isso pesou bastante no resultado. Então sentei com meu time, com minha equipe e meu treinador, e analisamos o que poderíamos fazer para melhorar meu visual e meu aspecto no palco”, contou.
A partir daí, foi decidido fazer um ano inteiro de preparação para redistribuir a musculatura, “tirando” volume muscular de alguns lugares e adicionando em outros.
“Para este ano, fizemos uma redistribuição (…) pensando em aumentar os glúteos e os inferiores, tudo para deixar meu físico mais encaixado e enquadrado dentro da categoria e, obviamente, melhorar meu conjunto no palco”, disse.
No meio desse período, a atleta também trocou a prótese de silicone, visando melhor equilíbrio no físico, que também é avaliado nas categorias femininas, bem como cabelo e maquiagem no dia do show.
“Como tenho o tronco mais alongado, minha prótese anterior estava pequena, porque cresci os superiores e ela já tinha dez anos. No conjunto, querendo ou não, isso conta (…) quando se trata de Wellness e Bikini, são categorias em que beleza, feminilidade e o conjunto geral, como cabelo e maquiagem, contam muito. Entendemos que isso talvez pudesse ajudar”, afirmou.
Segundo ela, para este Olympia a preparação foi iniciada faltando cerca de 16 semanas para a competição, em meados de maio deste ano, após um período de off-season, fase em que os fisiculturistas focam em ganho de massa muscular para melhorar os pontos fracos do físico.
“Como eu não precisei fazer um off muito pesado, consegui manter o percentual de gordura controlado e iniciei minha preparação com 16 semanas. Desde então, estamos reduzindo o peso aos poucos, dando tempo para o corpo se adaptar, para não debilitar muito o rosto, que também precisa ser conservado, e preservar o máximo possível de massa muscular”, contou.
Segundo ela, por ter iniciado a preparação com antecedência, ao invés de 9/10 semanas, ela não está zerando carboidrato nem fazendo horas de cardio.
“Atualmente, posso dizer que estou comendo bem. Claro que sinto fome em alguns momentos, sinto vontade também, mas, comparando com outras preparações, neste mesmo período eu já estaria com uma dieta muito mais restrita”, ponderou.
Dieta
Em relação a alimentação, a atleta tem consumido cerca de 1.350 calorias por dia, divididas em cinco refeições, sendo:
- 1ª refeição: 3 claras e 2 ovos inteiros + 2 fatias de pão integral + 100g de mamão
- 2ª refeição (pré-treino) : 100g de arroz + 120g carne vermelha (patinho) ou 30g de creme de arroz + 30g whey protein
- 3ª refeição (pós-treino): 100g de arroz e 120g carne vermelha (patinho)
- 4ª refeição: 30g de aveia + 30g whey protein e uma porção de frutas (morango ou maçã)
- 5ª refeição: 30g whey protein + uma porção de amêndoas ou ovos
Diferente de outras preparações, Isa conta que tem tido mais variedade de alimentos como carne vermelha e mais opções de fruta, indo de acordo com a resposta do físico e o condição que iniciou a preparação.
“Em outras preparações, por exemplo, eu não tinha carne vermelha na dieta, por ser um alimento mais calórico. Comia praticamente só tilápia e clara de ovo. Mas era outro momento, em que meu corpo não estava respondendo tão bem e o percentual de gordura também estava mais alto quando comecei a preparação”, contou.
Há sete anos, a atleta vive no estado da Flórida (EUA) e afirmou ter mais facilidade em encontrar alimentos com poucas calorias e preços mais acessíveis do que no Brasil.
“A tilápia é um pouco mais barata do que no Brasil. O salmão, que normalmente é mais caro no Brasil, também tem maior acessibilidade, mas não vejo o Brasil perdendo em muita coisa. Claro que minha vida já está baseada aqui. Tenho patrocinadores daqui, meu trabalho e minha empresa aqui, então acabei, entre aspas, ficando presa aqui”, afirmou.
Ainda segundo Isa, a infraestrutura brasileira em relação a academias e ao fisiculturismo hoje não perde em nada para os EUA.
“Vim para os Estados Unidos em busca de mais oportunidades, qualidade de vida, trabalho e para participar mais das competições, já que a maioria acontece aqui. Mas hoje posso dizer com convicção que o Brasil não perde em praticamente nada (…) fiz toda minha temporada de off-season no Brasil. Fiquei cinco meses e treinei em academias muito melhores do que aqui (…) hoje o Brasil não perde em mais nada”, opinou.

