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Salton: Espumante é vocação e sustenta resultados positivos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Salton: Espumante é vocação e sustenta resultados positivos

Espumantes e bebidas não alcoólicas sustentam o desempenho e os resultados positivos da Vínicola Salton, segundo o diretor-presidente Maurício Salton.

“O espumante é a vocação da Salton e talvez a expressão mais fiel da nossa identidade”, enfatizou em entrevista exclusiva ao CNN Money.

“Cerca de quatro em cada dez garrafas de espumante consumidas no Brasil são nossas. Estamos trabalhando para ampliar a categoria no mercado doméstico, apostando em dois atributos que ela tem de sobra: versatilidade de consumo e tropicalidade. O espumante brasileiro combina com o nosso clima, com a nossa comida e com o nosso jeito de beber”, ressaltou.

Mundo afora, Salton afirma que a marca está consolidando o Brasil como protagonista global da categoria. “Estamos posicionados para disputar e confiantes no potencial da categoria”, afirmou.

O executivo avaliou que o primeiro semestre foi consistente para a vinícola, destacando o crescimento em receita, com rentabilidade operacional ligeiramente abaixo do previsto – nada que altere a trajetória do ano, segundo ele, mas que exige atenção.

“A dificuldade está concentrada em vinhos finos, segmento no qual competimos com rótulos que chegam ao Brasil subsidiados na origem e, pior, com um volume assustador de produtos contrabandeados e falsificados”, indicou.

“A geração de caixa é um indicador que se consolida no segundo semestre, quando concentramos a maior parte do faturamento. Seguimos dentro do intervalo que projetamos, com os ajustes de rota que qualquer negócio de ciclo operacional longo precisa fazer”, pontuou.

“Desequilíbrio nas regras do jogo”

Contrabando, desvio de cargas e produtos importados beneficiados são os principais desafios apontados pelo diretor-presidente da Salton.

Apesar de a evolução do vinho fino brasileiro nos últimos vinte anos ser notável, ele afirma que a relação competitiva com o rótulo estrangeiro continua desequilibrada, e não por uma questão de qualidade.

“É desequilíbrio nas regras do jogo. Competimos com países que operam com custo financeiro drasticamente inferior ao nosso; com legislações que admitem práticas enológicas que aqui são proibidas, como a correção com água; com governos que subsidiam a matéria-prima ao produtor; e com um bloco econômico que injeta cerca de um bilhão de euros por ano na competitividade da sua indústria vitivinícola e que, além disso, não aplica tributação seletiva sobre vinho e espumante na origem, justamente por reconhecer as externalidades positivas da matriz bioquímica dessas bebidas. Nosso dever de casa é nosso e nós o estamos fazendo, mas corrigir assimetria de regra é uma importante responsabilidade do governo também”, ponderou.

Sobre o impacto do crime no setor, Salton avaliou como “um problema imenso […] de arrecadação e de saúde pública”.

“Falamos de milhões de garrafas entrando pelas fronteiras brasileiras, parcela relevante delas de rótulos falsificados, sem qualquer controle sanitário sobre o que está dentro”, disse, ainda relacionando o cenário aos altos encargos cobrados sobre o setor.

“E esse mercado ilegal é retrato direto de um sistema tributário que onera a categoria muito acima do que se pratica no resto do mundo: quando a carga fiscal torna o produto legal inacessível, o ilegal ocupa o espaço. A reforma tributária abre uma janela real para o país repensar isso, porque a discussão já deixou de ser econômica e passou a ser de saúde e segurança pública”, concluiu.

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