O Dia do Folclore é celebrado internacionalmente neste sábado (22). No Brasil, a data tem o objetivo de garantir a preservação do folclore brasileiro, além de incentivar os estudos das tradições.
O dia costuma relembrar elementos da cultura popular brasileira: danças, ritmos, festas e lendas tradicionais, como a do Saci-Pererê, Curupira, Iara, Boto Cor-de-Rosa, entre outros. Mas, além de reforçar todas as tradições, esses conhecimentos também podem ser inseridos na educação.
Thaís Ciardella, coordenadora pedagógica na Roda Educativa, explica que o Dia do Folclore é uma oportunidade de abordar a diversidade cultural no planejamento escolar de uma maneira mais ampla, crítica e contextualizada.
“O mais potente é a comunidade escolar se colocando para identificar quais são os conhecimentos, quais são as manifestações culturais do próprio território, como cantigas, narrativas populares, manifestações culturais. É um saber tradicional; tudo isso pode ser objeto de pesquisa, de análise, de produção artística, de reflexão”, avalia a coordenadora.
Ciardella reitera a necessidade de valorizar a história, a cultura afro-brasileira e indígena, dialogando com o que a própria legislação brasileira exige.
“É possível refletir sobre os diferentes saberes, sobre as diferentes linguagens, sobre a investigação sobre o território. E isso dialoga com o desenvolvimento integral e a valorização dos saberes ancestrais”, afirma. Para a especialista, é preciso assumir o compromisso com a transmissão de saberes populares de uma geração para outra.
Benefícios dos saberes culturais
Ao analisar os efeitos de uma educação pedagógica que aplique os conhecimentos folclóricos, a especialista aponta que Lendas, cantigas e brincadeiras populares podem reforçar o pertencimento.
“Essas expressões culturais vão permitindo que crianças, jovens e adultos se sintam pertencentes e produtores de saberes populares e de arte popular”, explica.
Diversidades culturais
Segundo Thaís Ciardella, a escola é o espaço de dialogar sobre todas as culturas. “Quando a gente fala das diversidades culturais, das histórias populares, dos saberes populares, a gente usa a identidade cultural do Brasil, mas a gente também usa de outros países para valorizar as múltiplas culturas e identidades”, detalha ela.
A coordenadora pedagógica explica que diferentes grupos sociais produzem folclore e culturas populares no Brasil contemporâneo. Por isso, é preciso ouvir e reconhecer essas diversidades.
“No caso das culturas indígenas e quilombolas, isso é especialmente importante para não reforçar no imaginário dos estudantes que estes são povos do passado. São historicamente presentes, com produções e lutas contemporâneas em meio aos desafios que vivenciamos para estruturar a sociedade brasileira no tempo presente”, defende Ciardella.
Planejamento educacional
A educadora ressalta que o ensino sobre saberes tradicionais e diversidade não se restringe a uma única data. “A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) assegura esse tipo de formação, com um currículo articulado que contemple os saberes dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e das comunidades tradicionais”, pontua Thaís Ciardella.
A coordenadora pedagógica também lembra que o ensino sobre culturas populares não precisa ser restrito à educação infantil. “Isso pode aparecer em todas as etapas educacionais. Mais importante do que celebrar a data é garantir que esses diferentes saberes, manifestações e produções culturais façam parte da sociedade brasileira, que estejam presentes no currículo ao longo do ano todo”, finaliza ela.
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