A Sequoia passou por uma reestruturação significativa em seu modelo de negócios e agora concentra suas operações em dois segmentos principais: a logística B2B para grandes empresas e a logística de objetos bancários, segmento que inclui cartões de débito, cartões de crédito e maquininhas de pagamento.
A mudança resultou em uma redução de receita no curto prazo, mas a companhia projeta um crescimento expressivo nos próximos anos, com potencial de atingir um bilhão de reais em receita.
Durante entrevista ao programa “Números Falam“, o CEO da companhia, Leopoldo de Bruggen e Silva explicou que a empresa operava até o ano passado com três linhas de negócio: o B2C para e-commerce, o B2B voltado a grandes empresas e a logística de objetos bancários. A operação de B2C foi encerrada em abril, com a venda de todos os ativos e a transferência do centro de distribuição para o Mercado Livre, transação que rendeu R$ 38 milhões à companhia. “Essa linha de negócio acabou. Ela foi encerrada e, obviamente, a gente percebe a queda de receita”, afirmou.
Objetos bancários como pilar de crescimento
No segundo trimestre, a Sequoia registrou receita de R$ 137,8 milhões e realizou 21,2 milhões de entregas de objetos bancários, crescimento de 7,9% em relação ao primeiro trimestre. Leopoldo destacou que as maquininhas representam um vetor de crescimento relevante: “O Brasil hoje tem 50 milhões de maquininhas instaladas aproximadamente e esse número vem crescendo”. Segundo ele, o segmento tem potencial de praticamente dobrar a receita da área de objetos bancários, o que permitiria à empresa “facilmente atingir um bilhão de receita”.
Leopoldo também apontou fatores estruturais que sustentam a demanda por cartões físicos no Brasil. Em 2025, houve um crescimento de 10% na base de cartões no país, impulsionado pela bancarização de parcelas da população que antes não tinham acesso a esses produtos.
Além disso, o executivo destacou que o Brasil já conta com mais de um cartão de crédito por habitante e que uma parcela significativa da população ainda prefere o cartão físico com senha, especialmente em transações de maior valor.
Inteligência artificial aplicada à logística
A empresa investiu na formação de um time de inovação e tecnologia e iniciou um diálogo direto com seus principais clientes, os maiores bancos do Brasil, para identificar oportunidades de melhoria.
O uso de inteligência artificial passou a ser central nesse processo. Um dos exemplos práticos mencionados por Leopoldo é a validação em tempo real das fotos tiradas pelos entregadores no momento da entrega: a IA verifica se a imagem contém elementos como fachada, número do imóvel e portão, além de confirmar a latitude e longitude do entregador. “Hoje a gente já está tendo 80% de acerto”, disse.
A Sequoia opera atualmente com 412 franquias e mais de 5 mil entregadores, atendendo cerca de 1.600 cidades no Brasil. A taxa de sucesso nas entregas supera 97%, índice que Leopoldo classificou como “top da indústria”.
Para efeito de comparação, ele citou que a taxa de insucesso do agente postal é de 30%, enquanto a da Sequoia é inferior a 8%. A meta declarada pelo executivo é expandir a malha de atendimento para 2 mil cidades em breve.
Números Falam
O programa Números Falam é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Márcio Kroehn. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.

