No último mês de abril deste ano, o Renault Koleos deu início às vendas na rede de concessionárias de todo o Brasil. O modelo é o primeiro híbrido da marca a ser comercializado em território nacional.
Ao longo de uma semana, a reportagem da CNN Brasil testou o Renault Koleos Full Hybrid por mais de 700 quilômetros para entender mais sobre a convivência diária com o SUV. Vendido em versão única Esprit Alpine, o preço de tabela chega a R$ 289.990, mas em algumas concessionárias já tem descontos e chega a R$ 265 mil.
Embaixo do capô, o Koleos HEV (sistema que dispensa a recarga em tomada) reúne um motor turbo 1.5 litro e mais dois motores elétricos. Juntos, eles somam 245 cv de potência e 32,6 kgfm de torque. Assim, ele acelera de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos, segundo os números oficiais da marca.
Em termos de consumo, a fabricante diz que o Koleos roda na cidade 75% do tempo em modo elétrico. Na prática, não percebemos o modo elétrico tão efetivo. De acordo com os testes da CNN Auto, fizemos médias na casa dos 11 km/l no perímetro urbano — um pouco abaixo dos 13,1 km/l dos números oficiais.
Saímos da cidade e fomos testar o carro na rodovia. Pelos números oficiais, as médias são de 12,1 km/l. Para nossa surpresa, ao percorrer um trajeto de 120 quilômetros, a média final exibida no painel de instrumentos digital foi de 15,5 km/l.
Na rodovia, o Koleos se mostrou um carro bem confortável e com uma suspensão bem ajustada. Pouco dá para sentir quando passamos em locais com mais remendos de pista e alguns buracos leves. A suspensão tem uma regulagem firme e, ao mesmo tempo, proporciona conforto a bordo.

O mesmo acontece na cidade. O dia a dia com o Renault Koleos Full Hybrid é excelente. A vontade é de passar mais tempo dirigindo com ele. Os bancos são elétricos com aquecimento, ventilação e contam com abas largas. Eles misturam alcântara com um revestimento em couro. A cor azul está presente em diversos detalhes internos e externos do carro, em referência à versão Esprit Alpine.
Costuras em azul com branco nos bancos, portas, painel são alguns exemplos. Além disso, no volante e apoio de braço traseiro há costuras nas cores da bandeira da França, que é o país de origem da Renault. Esses detalhes fazem diferença em um carro com acabamento premium.
Outro ponto positivo é que o túnel central é baixo (praticamente plano). Ou seja, para quem viaja na segunda fileira, não vai se preocupar tanto em dividir espaço para apoiar os pés.
Com um bom espaço interno, por conta do seu excelente entre-eixos, o conforto a bordo é um ponto que chama atenção. A largura também é boa e, mesmo com uma cadeirinha na segunda fileira, não atrapalha a convivência com os demais ocupantes.
- Comprimento: 4,77 m;
- Largura: 1,88 m;
- Entre-eixos: 2,82 m;
- Porta-malas: 431 l;
- Altura livre do solo: 21 cm;
- Ângulo de entrada: 20,9º;
- Ângulo de saída: 20,9º;
- Tanque de combustível: 55 l.
Na segurança, o Renault Koleos também agrada. O sistema de piloto automático adaptativo funciona de forma suave sem acelerações e frenagens bruscas. Segundo a Renault, o SUV híbrido tem 29 sistemas avançados de assistência ao motorista.
Além disso, ele também conta com condução autônoma nível 2, que ajuda a manter o veículo na faixa de rodagem, regulando a distância de acordo com o veículo que segue adiante.
A câmera com função de chassi transparente é de 540º e permite estacionar ou passar por locais mais apertados com maior segurança de não arranhar o carro ou raspar as rodas.
Com cinco modos de condução, pouco percebemos a diferença entre eles. No modo Eco, o pedal fica mais lento e, no Sport, ele fica mais ágil. O Comfort é muito parecido com o Eco.
Nos outros modos, sentimos pouca ou quase nenhuma mudança. Como não passamos por locais de baixa aderência, não foi possível testar o modo Snow.
Um ponto que incomodou um pouco foi o freio, que tem uma calibração mais fofa e, numa velocidade mais alta, parece que não vai parar. Porém, ele é muito efetivo. Isso aconteceu quando rodamos mais no modo de regeneração mais alta, que também tende a segurar mais o SUV.

Na hora de frear, havia uma certa dificuldade na memória muscular de acertar o ponto do freio. Mudamos para o menor nível de regeneração e a condução ficou mais agradável (lembrando que esse é um ponto de preferência pessoal de cada condutor).
Além disso, o carregador por indução para smartphone também não é tão efetivo. A velocidade é baixa e esquenta muito o celular, o que acaba aumentando ainda mais o tempo de recarga. Falta uma climatização para resolver esse problema.
Por outro lado, o sistema de som é um ponto que merece destaque. É assinado pela Bose e tem 10 alto-falantes. A experiência sonora é bem imersiva e conta com bons graves, e não há nenhuma distorção, mesmo em volumes mais altos.
Tecnológico, ele conta com três telas de 12,3 polegadas: painel de instrumentos, tela central e uma tela dedicada ao passageiro com película de privacidade. Quando o carro está em movimento, ela permite passar as músicas e aumentar o volume, mas fica bem limitada. Ao parar, é possível, inclusive, acessar um navegador ou apps de streaming. Por segurança, ao olhar para a tela do passageiro, o motorista não consegue enxergar as informações presentes.

A multimídia tem pareamento com Android Auto e Apple CarPlay sem fio e uma conexão bem rápida. Quando já está conectada, ao entrar no carro, ligar, colocar o cinto e sair, certamente ela já estará pareada.
Desde que foi lançado, o SUV vendeu 188 unidades, o que ainda é um número baixo. Uma explicação para isso é a forte concorrência, juntamente com o preço, em que o consumidor acaba procurando outros modelos com preço equivalente.

