Uma ligação telefônica entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, realizada nesta sexta-feira (21), reacendeu as expectativas sobre o andamento das negociações comerciais entre os dois países. Segundo José Pimenta, colunista do CNN Money e sócio da consultoria BMJ, o movimento foi estratégico: o governo brasileiro buscou manter a relação bilateral em alto nível, blindando-se de intermediários externos.
Dois trilhos tarifários
Pimenta destacou que é necessário separar a questão tarifária em dois eixos distintos. O primeiro diz respeito a uma tarifa enfrentada por cerca de 60 países, relacionada a investigações de práticas de trabalho forçado na importação de produtos destinados aos Estados Unidos, com alíquotas entre 10% e 12,5%.
“Essa vai ser muito difícil mudar”, afirmou Pimenta, ressaltando que não há espaço para apresentar contraditório nesse caso.
O segundo eixo é a tarifa específica de 25% imposta ao Brasil. Nesse caso, segundo o analista, há margem para negociação.
“O USTR pode tirar isso quando bem entender, desde que entenda que todas aquelas alegações foram resolvidas”, explicou Pimenta.
O Brasil, portanto, não desistiu das tratativas e segue tentando demonstrar que as alegações são infundadas ou precisam ser melhor esclarecidas.
Ligação reforça mensagem política e comercial
Para Pimenta, a chamada telefônica entre os dois líderes enviou um sinal claro ao mercado e aos demais atores envolvidos.
“A ligação de hoje passa uma mensagem muito forte de que há pontos ainda em relação à tarifa que a gente precisa explicar melhor”, disse ele, citando temas como desmatamento, propriedade intelectual e outras alegações levantadas pelo governo americano.
O analista ressaltou que o tema “não morreu” e segue em negociação.
Questionado sobre o risco de contaminação política no processo comercial, especialmente diante do calendário eleitoral brasileiro, Pimenta reconheceu a dificuldade de dissociar as duas esferas.
“É um tema difícil você simplesmente dissociar comércio, política, economia”, admitiu. Ainda assim, disse não acreditar numa contaminação direta, embora o ambiente político e econômico esteja sendo influenciado pelo processo eleitoral em curso.

