Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) se destacam entre os candidatos à Presidência por adotarem posições distintas em relação ao Bolsa Família, segundo apuração do analista de Política Pedro Venceslau.
“Todas as candidaturas pisam em ovos quando vão tratar do Bolsa Família. Quando a gente olha para as propostas, os discursos e as entrevistas dos candidatos, fica muito claro que dois deles destoam”, afirmou Venceslau durante o CNN 360º desta sexta-feira (21).
A maior parte dos candidatos opta por não questionar o programa. Segundo Pedro Venceslau, Lula (PT) promete ampliar o Bolsa Família, programa que representa uma de suas principais forças políticas, especialmente na região Nordeste.
Flávio Bolsonaro (PL), antecipando críticas, declarou que o benefício é um direito adquirido e também prometeu ampliá-lo. “Ou seja, o principal candidato de oposição diz que não vai mexer nisso porque poderia perder muitos votos, sobretudo na região Nordeste”, observou o analista.
Já Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que vai manter o programa, demonstrando atenção ao eleitorado beneficiário.
A proposta de Renan Santos
Renan Santos não defende o fim do Bolsa Família, mas, segundo Venceslau, propõe a criação de frentes de trabalho como contrapartida ao benefício.
Pela proposta, quem quiser receber o auxílio precisará realizar atividades direcionadas pelo governo, como manutenção urbana e construção de estradas, possivelmente sob coordenação do Ministério das Cidades.
“Quem não topar trabalhar para o governo fazendo esse tipo de atividade, não receberia o benefício“, acrescentou o analista.
O candidato defende o que chama de “desmame” do programa, com o objetivo de conduzir os beneficiários ao emprego formal. Pessoas com limitações físicas, no entanto, não apenas continuariam recebendo o benefício, como teriam o valor elevado.
A posição crítica de Zema
Segundo Venceslau, Romeu Zema adota a postura mais crítica entre todos os candidatos.
Em duas ocasiões, em uma conferência do Santander e em entrevista ao programa “Canal Livre” da TV Bandeirantes, o candidato do Novo afirmou que o Bolsa Família “cria uma geração de imprestáveis” e que os beneficiários preferem realizar trabalhos informais.
Zema propõe exigir a participação em cursos profissionalizantes como condição para o recebimento do benefício e anuncia que suspenderá o auxílio de quem se recusar a cumprir essa exigência.

