A dívida pública dos Estados Unidos atingiu a marca inédita de US$ 40 trilhões, conforme informou o Departamento do Tesouro. O recorde acende novos alertas sobre a formação de uma crise fiscal, diante do crescimento acelerado dos gastos, que superam em muito as receitas retidas pelos cortes de impostos.
Durante o CNN Prime Time desta quinta-feira (20), a analista de Economia Lucinda Pinto explicou que, por muito tempo, o elevado déficit americano não era visto como um problema.
“Porque os treasuries [títulos públicos do Tesouro norte-americano] são considerados os ativos mais seguros do mundo, o dólar é a moeda de reserva global e também porque existe uma liquidez muito grande do mercado americano”, exemplificou Lucinda.
No entanto, investidores têm demonstrado crescente preocupação com a forte emissão desses títulos para financiar a dívida, o que elevou os juros exigidos nas ofertas do Tesouro. “A gente viu o juro de 30 anos nos Estados Unidos superar a marca de 5% recentemente”, afirmou a analista.
A analista ressaltou que os juros dos Treasuries funcionam como a base de referência global, o chamado “risco zero”, a partir da qual são calculados os spreads cobrados de outros países.
Ao comparar com o Brasil, Lucinda apontou que, embora a dívida brasileira seja de pouco mais de 80% do PIB ante os 129% dos Estados Unidos, a diferença está no custo:
“Lá, o juro que o governo paga é de 3,5% a 3,75%, e o nosso é de 14%”, afirmou.
Como EUA alcançaram esse patamar
De acordo com a correspondente da CNN em Washington, Mariana Janjácomo, uma série de fatores contribuiu para que o país chegasse a esse patamar.
“Queda na arrecadação, ampliação nos gastos, principalmente agora com a guerra contra o Irã, cortes de impostos aos mais ricos e, na verdade, décadas de um histórico como esse”, explicou a correspondente.
Desde o primeiro mandato de Donald Trump, quando a dívida estava em torno de US$ 20 trilhões, passando pelo governo de Joe Biden, o endividamento público dos Estados Unidos dobrou.
Neste ano, o país precisará tomar emprestados cerca de US$ 2 trilhões apenas para honrar suas obrigações financeiras.
A correspondente também mencionou que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, conversou com repórteres na Casa Branca e citou as tarifas como um dos fatores relevantes no cenário atual.
Segundo Bessent, uma decisão da Suprema Corte do ano passado derrubou as tarifas pela lei de emergência econômica, o que fez os Estados Unidos deixarem de arrecadar recursos e os obrigou a reembolsar negócios. A perspectiva dele é de que o país volte a arrecadar com taxas de importação.

