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Algodão brasileiro lidera exportações e conquista mercado global

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Algodão brasileiro lidera exportações e conquista mercado global

O Brasil se tornou o maior fornecedor de algodão para o mundo ao produzir uma pluma sustentável, com qualidade rastreável e certificação internacional. Essas características atendem as necessidades do mercado global e contribuem para a ampliação de mercados, como explica o presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Gustavo Viganó Piccoli.

“Já faz 8 anos que criamos o programa Cotton Brasil, parceria entre ApexBasil e ANEA. Com o escritório na Ásia, conseguimos contatar diretamente os nossos clientes do continente asiático, mostrando que tínhamos qualidade de algodão sustentável, rastreável e em volume para atender a demanda asiática de algodão”, disse Piccoli.

Por meio de investimentos em tecnologia e no desenvolvimento das lavouras, o setor algodoeiro brasileiro também conseguiu demonstrar capacidade para atender a demanda internacional.

No período entre agosto de 2024 e julho de 2025, janela comercial correspondente ao ano safra, o Brasil exportou 2,8 mil toneladas de algodão e gerou uma receita de US$ 4,8 bilhões, com uma produção de 4,25 milhões de toneladas, segundo a Abrapa.

Atualmente, o Brasil exporta para cerca de 30 países. Bangladesh, China e Coreia do Sul são os principais destinos, além de Egito, Índia, Indonésia e Paquistão.

“Com esse trabalho junto ao mercado internacional, conseguimos mostrar que tínhamos volume de produção confiável para atender durante os 12 meses do ano a demanda mundial de algodão. Isso foi criando uma confiabilidade na indústria têxtil, que pode contar com a produção brasileira”, frisou Piccoli.

Com isso, o país se tornou o maior exportador de algodão do mundo, o que permitiu ultrapassar os Estados Unidos em 2025 e se estabelecer na terceira posição como maior produtor mundial.

Exportações em 2025/26

O Brasil fechou o ano comercial 2025/26 com 3,3 mil toneladas exportadas, o que gerou uma receita de US$ 5,3 bilhões. Assim, o volume embarcado foi 19% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

No período, a China foi o principal comprador da fibra brasileira, com 770,5 mil toneladas, e gerou aproximadamente 23% do total embarcado.

Na comparação com o mesmo período do ano comercial anterior, as exportações para o país aumentaram 309,2 mil toneladas. Entre outros compradores, Bangladesh também se destacou com crescimento de 173,2 mil toneladas nos embarques.

Já o Vietnã e Paquistão registraram as maiores quedas entre os principais destinos, com perdas de 137,4 mil toneladas e 79,2 mil toneladas, respectivamente, segundo a associação.

Assim, o Brasil encerrou o ano comercial novamente no topo do mercado mundial como maior exportador da fibra. Durante o último ciclo, o mês de dezembro foi o principal destaque, com 452 mil toneladas exportadas.

“Graças a essa quantidade, com um volume de produção robusto no Brasil, conseguimos atender uma demanda crescente mundial de algodão,” ressaltou Piccoli.

A Abrapa, em parceria com as associações estaduais e os produtores de algodão do país, também passou a realizar seminários e workshops voltados ao aprimoramento da produção.

Segundo a entidade, o objetivo é levar aos produtores as melhores técnicas de produção, cuidados de manejo, variedades e características do algodão. Juntos, os fatores garantem qualidade para atender à demanda internacional.

Além disso, a Abrapa criou, em Brasília, um laboratório de referência para garantir que diferentes unidades responsáveis pela análise do algodão no país, utilizem os mesmos padrões de avaliação. “Hoje, a classificação do algodão brasileiro é confiável e rastreável, o que confere credibilidade e qualidade à pluma brasileira”, destacou.

Rastreabilidade do algodão

A tecnologia de rastreabilidade é uma conquista do algodão brasileiro que permite ao comprador, através de uma etiqueta de QR Code, identificar onde o algodão foi produzido. A ferramenta permite que a commodity seja monitorada ao longo da cadeia, reforçando os atributos de sustentabilidade, qualidade e certificação exigidos pelo mercado.

“De qualquer lugar do mundo, o comprador identifica a origem, propriedade, a algodoeira e demais detalhes do algodão. Seguimos a rastreabilidade de ponta a ponta até a indústria têxtil”, destacou Piccoli.

Fibra brasileira

Ao longo dos anos, as fibras do algodão brasileiro chegaram a patamares de excelência e referência internacional. “O algodão brasileiro é reconhecido pela sua qualidade, o que nos permite exportar para países reconhecidos por sua indústria, como o egito”, ressaltou.

Segundo a entidade, o algodão brasileiro virou referência mundial ao atender às características intrínsecas da fibra, ou seja, comprimento, espessura e micronaire, atributos valorizados pelo mercado.

Mercado indiano

A fibra brasileira é comercializada principalmente para o mercado asiático, região onde estão instaladas as grandes indústrias de fiação e empresas varejistas. Piccoli destaca os mercados. “Quem escolhe o algodão brasileiro é justamente o varejo e a confecção, porque o setor quer um algodão de qualidade”.

Atualmente, o Brasil é um grande fornecedor dos principais mercados da indústria têxtil do mundo. Inclusive, o país avança e amplia mercados como fez com a indústria indiana.

No ano passado, o Brasil forneceu 8 mil toneladas para a Índia. Em 2026, o país já exportou cerca de 350 mil toneladas de algodão aos indianos.

Para Piccoli, os programas de divulgação da qualidade do algodão também foram primordiais para ajudar a alavancar a venda para outros países.

Ele ainda ressaltou que o país indiano cobrava uma tarifa de 11% ao algodão brasileiro, que superou a barreira para acessar o mercado.

Temos a certeza de que a partir de agora, num cenário onde o indiano conhece a qualidade do algodão brasileiro, nós vamos aumentar e muito as exportações para lá, até porque eles têm um grande parque industrial, além de uma política para aumentar a indústria têxtil nacional”, concluiu.

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