O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) reduziu sua estimativa para confinamento de bovinos em Mato Grosso, estado que concentra o maior rebanho bovino do país com mais de 30 milhões de cabeças. A estimativa é que 1,33 milhão de cabeças sejam levadas para os cochos para terminação, o que representa uma queda de 7,71% em relação ao que foi projetado em abril.
E essa desaceleração tem a ver também com a redução das compras pela China, como aponta o 2º Levantamento sobre as Intenções de Confinamento divulgado pela entidade.
“Em julho, 56% dos entrevistados afirmaram que vão confinar, enquanto 39% disseram que não, e apenas 5% ainda estavam indecisos. Apesar de a maioria já ter tomado uma decisão, a redução da intenção de confinamento em relação a abril ocorreu em um período de maior volatilidade do mercado, em que as oscilações no preço da arroba, somadas à valorização da reposição, às incertezas em relação á lucratividade e à demanda externa deixaram o produtor mais cautelosos na hora de definir a operação”, explica Ana Eufrázio, analista de bovinocultura do Imea.
Mesmo com a revisão para baixo, o volume representa alta de 43,41% frente às 928,67 mil cabeças confinadas no estado em 2025.
Segundo a analista do Imea “embora esse volume permaneça elevado (1,33 milhão de cabeças), o ajuste de 8% a menos em relação ao levantamento anterior mostra que o produtor ficou mais cauteloso, justamente diante da expectativa de esgotamento da cota chinesa”.
Entre os produtores consultados em julho, 56,47% afirmaram que pretendem confinar neste ano, 38,82% disseram que não devem utilizar o sistema e 4,71% ainda estavam indecisos.
A redução da intenção em relação a abril coincide também com o período de maior volatilidade no mercado do boi gordo. Depois de atingir R$ 360,01 a arroba em abril, um dos melhores preços do ano, a cotação recuou para R$ 312,94. E voltou a subir em julho, quando fechou em R$ 324,17 no estado.
A oscilação, somada à valorização dos animais de reposição, elevou as incertezas sobre a lucratividade, especialmente entre os confinadores que precisam comprar animais para reposição em preços mais altos.
Segundo o Imea, a valorização da reposição é o que mais tem pressionado a atividade mesmo com o recuo nos preços dos principais insumos da dieta: milho (-13,86%), caroço de algodão (-24,18%), DDG (-15,60%) e farelo de soja (-2,47%) na comparação com as médias de 2025.
Nesse cenário, os produtores têm buscado mais proteção de preço: 33,33% dos confinadores entrevistados informaram que vão utilizar contrato a termo com frigoríficos, o que deve cobrir 17,52% do total de cabeças projetadas para o ano.
“Isso traz uma maior previsibilidade para essas margens, que é justamente uma das maiores preocupações que a gente viu nesse segundo levantamento”, reforça Ana Eufrázio.
O levantamento também mostra que 80,74% dos animais confinados devem ser abatidos até o fim do ano. Com 48,31% das entregas previstas entre setembro e novembro.
“A expectativa é que o mercado volte a se movimentar na segunda quinzena de outubro, já de olho na cota chinesa do próximo ano”, pontua Ana Eufrázio.
O mercado interno e outros compradores internacionais, devem ganhar peso no escoamento da produção mato-grossense, justamente quando a maior parte dos animais confinados estará pronta para abate. O relatório reforça que o confinador e o pecuarista se organizaram para atender o aumento da demanda interna típica de fim de ano, impulsionada pelo pagamento do 13º salário e pelas festas.
“Do lado da oferta a gente tem alguns fatores que podem ajudar a equilibrar o mercado. As chuvas devem retornar lá para novembro. Com ela o produtor recupera a capacidade de reter os animais dentro da propriedade, o que aumenta o poder de negociação com os frigoríficos. Somado ao atual momento do ciclo pecuário, marcado pela retenção das fêmeas para recomposição do rebanho, que deve manter a disponibilidade mais ajustada de animais terminados mesmo com a concentração das entregas do confinamento no fim do ano”, completa Ana.

