O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (20) que pode aumentar novamente o volume de títulos do Tesouro que o governo irá recomprar, um dia depois de anunciar planos de duplicar as recompras.
“Vamos aumentar o volume da recompra”, disse Bessent em entrevista à CNBC. “Gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão”, destacou.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta (19) que dobrará o valor das operações de recompra para apoio à liquidez de títulos com cupom nominal e prazos mais longos, passando de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
Bessent disse à CNBC que o objetivo é apoiar a liquidez em um segmento do mercado com baixo volume de negociações — especialmente em agosto — e que enfrenta a concorrência de um grande volume de emissões corporativas com rendimentos mais elevados, inclusive ligados à infraestrutura de inteligência artificial.
“Parte disso é uma sinalização para mostrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos econômicos subjacentes. Quanto ao conflito com o Irã, vamos superá-lo, embora não saibamos quando”, afirmou Bessent.
Um dia após a dívida pública total dos EUA ultrapassar a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez, Bessent declarou que ele e o diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, iniciarão um novo esforço de consolidação fiscal sob a orientação do presidente Donald Trump. Segundo ele, essa iniciativa, combinada a esforços para eliminar desperdícios e fraudes, poderia gerar uma economia de “centenas de bilhões de dólares”.
Ele acrescentou que “não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões” e que os EUA sairiam da dívida por meio do crescimento econômico. Paralelamente, observou que o déficit deste ano foi inflado por reembolsos de tarifas impostas por Trump que foram declaradas ilegais pela Suprema Corte.
Durante a entrevista à CNBC, a autoridade americana disse ainda que os Estados Unidos vão impor “as sanções mais duras da história” ao Irã. Bessent afirmou que realizará uma coletiva de imprensa na segunda-feira (24) para discutir os detalhes.
“É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão”, enfatizou ele.
O presidente Donald Trump alertou na quarta-feira (19) sobre consequências econômicas para qualquer país que forneça “qualquer tipo de ajuda ao Irã”.
Quando questionado se os Estados Unidos poderiam mirar a China por fazer negócios com o Irã, Bessent disse que muitas conversas são melhores quando realizadas em particular.
“Estamos confiantes de que todos querem o Estreito de Ormuz reaberto e que os preços da energia voltem a cair”, continuou ele. “Lembre-se de que os chineses obtêm 50% (de sua) energia de dentro do Golfo. Portanto, seria de grande importância para eles aderirem a essa estratégia”, concluiu.
A China compra mais de 80% do petróleo iraniano exportado, de acordo com dados de 2025 da empresa de análise Kpler.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou os comentários de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas financeiros internos, incluindo uma dívida recorde e o aumento das taxas de juros.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

