O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) incluiu nesta quinta-feira (20) o também candidato ao Planalto Pablo Marçal (União Brasil) no grupo de lideranças que, segundo ele, precisa estar unido para derrotar o PT (Partido dos Trabalhadores) nas eleições deste ano.
A declaração ocorreu durante agenda de Flávio na região de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital paulista, ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e de aliados.
Ao ser questionado sobre Marçal, Flávio elogiou o empresário e afirmou que divergências precisam ser deixadas de lado em nome de uma aliança mais ampla contra o PT.
“É uma pessoa já conhecida do grande público aqui em São Paulo, é um cara do bem, é um cara preparado. Eu acho que ele é bem-intencionado e, assim, todo mundo que está se unindo a favor do Brasil, a gente tem que abraçar”, afirmou.
Na sequência, Flávio ampliou o discurso de união e colocou Marçal ao lado de nomes que já participam diretamente de sua articulação política, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ricardo Nunes.
“Essa guerra, gente, não é entre Bolsonaro e Lula. É entre o Brasil e o PT. Ou o Brasil vence ou o PT acaba com o Brasil. E o Brasil vai vencer, vai vencer com o Ricardo Nunes, com o André do Prado, com o Derrite, com o Tarcísio, comigo, com o Marçal, com todo mundo que estiver disposto a vestir a camisa do Brasil”, disse.
A manifestação ocorre em meio a sinais de aproximação entre Flávio e Marçal, apesar de os dois estarem colocados na disputa pela Presidência.
Marçal chegou a declarar apoio à candidatura de Flávio ainda em dezembro de 2025. Durante um encontro com empresários em São Paulo, chamou o senador ao palco e anunciou que o apoiaria na corrida presidencial.
A relação continuou nos meses seguintes. Em abril, os dois se reuniram para discutir, entre outros assuntos, a estratégia digital da campanha de Flávio. O encontro também resultou na gravação conjunta de uma série de vídeos para as redes sociais de Marçal.
Desde então, os gestos públicos entre os dois têm sido interpretados como sinais de que Marçal, mesmo mantido no cenário eleitoral, não pretende fazer de Flávio um dos principais alvos de sua campanha.
A aproximação também se encaixa na estratégia mais ampla adotada por Flávio de tentar reunir diferentes grupos da direita e do centro contra o PT. O candidato tem defendido publicamente que divergências internas sejam deixadas de lado e já adotou discurso semelhante ao tratar de Tarcísio, Michelle Bolsonaro e outras lideranças do campo político.
Marçal ganhou projeção nacional durante a eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, quando terminou em terceiro lugar, com mais de 1,7 milhão de votos, e ficou a menos de 57 mil votos de avançar ao segundo turno.
Atualmente, porém, o empresário enfrenta uma disputa judicial sobre sua elegibilidade. No início de agosto, o TRE-SP manteve decisão que o tornou inelegível até 2032, mas ainda há possibilidade de recurso.
Apesar da inelegibilidade, Marçal registrou candidatura a presidente. Ainda nesta quinta-feira, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu impedir que Marçal compareça a debates eleitorais, tenha acesso a recursos públicos destinados à campanha, como o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha) e o Fundo Partidário, a ter tempo de rádio e televisão e a fazer atos de propaganda eleitoral.
Sobre o registro de candidatura, a Corte eleitoral decidiu analisar em seguida, quando o processo estiver pronto para ser julgado em definitivo.

