Após o Grupo Pontal-Thopen pedir recuperação judicial com passivo de R$ 4,56 bilhões, a RZK, antiga controladora da Thopen, veio a público dizer que são falsas as acusações feitas pela atual administração contra os antigos controladores da empresa. O grupo havia atribuído parte da crise a decisões de gestões anteriores e alegado que declarações e garantias prestadas na operação de venda não refletiam a real situação financeira e operacional das empresas adquiridas.
Em nota, a RZK sustenta que, antes da operação de venda, a companhia passou por diferentes processos de análise e auditoria independentes, conduzidos por instituições como Banco Safra e KPMG, além de empresas de engenharia, contabilidade e escritórios de advocacia.
Segundo a RZK, os atuais donos da companhia participaram desse processo e tiveram acesso às informações necessárias para avaliar os ativos e a situação econômico-financeira da empresa antes da conclusão da operação.
“A afirmação de que os ex-controladores teriam prestado garantias insuficientes ou incompatíveis com a situação financeira e operacional das empresas adquiridas é falsa”, afirmou a RZK em nota.
A resposta rebate diretamente um dos pontos mais sensíveis apresentados pelo Grupo Pontal-Thopen no pedido de recuperação judicial. Na petição, o atual controlador afirma ter identificado, em apuração interna, declarações e garantias dos antigos controladores que não corresponderiam à real situação financeira e operacional dos negócios adquiridos.
O grupo também informou ter iniciado procedimento arbitral contra antigos controladores, com pedido de ressarcimento estimado inicialmente em R$ 300 milhões. Segundo a atual administração, parte relevante de um aporte de R$ 500 milhões teria sido utilizada no pagamento de passivos e necessidades de caixa anteriores ao fechamento da operação, em desacordo com a destinação contratual prevista.
A RZK, porém, contesta a premissa de que os compradores não conheciam a situação das empresas adquiridas. Ao citar as auditorias e a participação dos atuais controladores no processo de diligência, a antiga controladora sustenta que houve acesso prévio às informações relevantes da operação.
A disputa entre os grupos abre uma nova frente dentro da crise financeira da Thopen, que já envolve recuperação judicial bilionária, renegociação com credores e arbitragem entre atuais e antigos acionistas.
No pedido de recuperação, o Grupo Pontal-Thopen também atribuiu a deterioração financeira a outros fatores, como juros elevados, descasamento entre o cronograma de maturação dos projetos e o serviço da dívida e atrasos de distribuidoras na conexão de usinas à rede.

