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Especialista avalia estratégias dos primeiros dias de campanha presidencial

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Especialista avalia estratégias dos primeiros dias de campanha presidencial

Os presidenciáveis da oposição têm concentrado seus discursos no tema da segurança pública nos primeiros dias da campanha eleitoral. Segundo Ricardo Ribeiro, analista político da 4intelligence, essa escolha estratégica se baseia em pesquisas que apontam o tema como uma das áreas de pior avaliação do governo Lula.

Em entrevista ao Hora H desta quarta-feira (19), Ribeiro analisou as movimentações iniciais das campanhas. “Os candidatos abordaram nesse início de campanha temas que de fato dialogam com a estratégia de campanha de cada um deles”, afirmou o analista.

Enquanto Lula (PT) apostou no discurso da soberania nacional e defendeu o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, os candidatos de oposição seguiram caminhos variados.

Flávio Bolsonaro (PL) tem forçado o debate sobre segurança pública, incluindo a pauta da redução da maioridade penal. Ronaldo Caiado (PSD) priorizou o tema da saúde, enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) têm reforçado propostas de corte de gastos e reformas nas contas públicas.

Sobre Caiado, Ribeiro destacou que o candidato busca demonstrar experiência de governo e se diferenciar da família Bolsonaro na questão das vacinas. “Tanto é que trouxe até o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para o auxiliar”, observou o analista.

Segundo Ribeiro, os candidatos de oposição têm uma conexão ideológica mais à direita, e o discurso de segurança feito por esse espectro político tem mais aderência à opinião pública.

Investigações de corrupção

Ribeiro avaliou que os vazamentos de informações sobre investigações de corrupção representam um grande risco para duas campanhas em particular.

No caso de Flávio Bolsonaro, o analista citou o vazamento do áudio no qual ele conversava com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Ali foi um momento de queda do Flávio Bolsonaro nas pesquisas, uma queda que se manteve durante bastante tempo. Agora, as últimas pesquisas, apontam para um ligeiro viés de recuperação“, disse.

Já o governo convive com os inquéritos recentes que têm como alvo Lulinha, filho do presidente Lula, e suas conexões com a empresária e lobista Roberta Luchsinger.

Para Ribeiro, isso representa um grande problema: “Isso reativa no eleitorado as lembranças dos grandes escândalos de corrupção que envolveram o PT em governos anteriores”.

Uso da IA nas eleições

Ribeiro também comentou sobre o desempenho do Tribunal Superior Eleitoral em relação ao uso de inteligência artificial nas eleições. Ele reconheceu que o TSE está atrasado na regulamentação do uso de inteligência artificial nas campanhas.

“A regulamentação que foi feita foi uma regulamentação com buracos, com questões que foram deixadas em aberto”, afirmou.

Apesar disso, o analista considerou razoável que isso ocorra diante de uma situação nova no cenário eleitoral. Ele estimou que a questão provavelmente será resolvida antes do início do horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, marcado para 28 de agosto.

Ribeiro também comentou sobre a candidatura de Pablo Marçal (PRTB), afirmando que ela certamente será impugnada pelo TSE.

“É uma quase certeza absoluta de que ele não continuará até o final na disputa presidencial”, concluiu o analista.

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