A busca por uma vida mais saudável deixou de ser exclusividade dos humanos. Nos últimos anos, muitos tutores de cães e gatos têm optado pela Alimentação Natural (AN) para os bichinhos. Mas será que esse tipo de dieta realmente traz benefícios? Ela pode substituir a ração? E quais são os cuidados necessários antes de mudar o cardápio do animal?
Essas costumam ser as dúvidas mais comuns, mas veterinários alertam que essas respostas dependem de um fator essencial: a alimentação natural precisa ser planejada e balanceada para atender às necessidades nutricionais de cada pet.
Ao contrário do que muita gente pensa, a alimentação natural não é oferecer as sobras do almoço ou jantar da família ao animal. Ela é uma dieta composta por ingredientes frescos, de qualidade e minimamente processados, formulada de maneira específica para atender às demandas nutricionais de cada animal.
Uma refeição balanceada geralmente combina proteínas de alto valor biológico como frango, carne bovina ou peixes, carboidratos complexos como batata-doce ou arroz integral, além de legumes e verduras cozidos no vapor. Toda alimentação natural caseira exige a adição de um suplemento vitamínico e mineral específico, pois sem esse complemento o animal pode desenvolver desnutrição crônica ou excesso de determinados nutrientes.
Segundo o veterinário Atilio Sersun Calefi, quando corretamente elaborada, a alimentação natural pode trazer benefícios como melhora na digestão, controle do peso, melhora da qualidade das fezes, pelagem mais saudável e maior variedade alimentar. Em alguns casos, ela também é indicada como parte do tratamento de doenças específicas, mas isso deve ser sempre feito com acompanhamento veterinário.
“Existe a possibilidade de algumas vitaminas serem degradadas pelo processo de industrialização que as rações passam. Então, essa alimentação natural traz os benefícios que suprem as necessidades nutricionais daquele animal sem que necessariamente a gente use de materiais industrializados”, diz Calefi que também é professor de medicina veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul.
Cada animal tem necessidades diferentes
Assim como acontece com os seres humanos, cães e gatos possuem necessidades nutricionais que variam conforme idade, porte, raça, nível de atividade física e condições de saúde.
Por isso, antes de iniciar uma alimentação natural, é fundamental que o tutor procure um veterinário para calcular a quantidade correta de proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e outros nutrientes que deverão compor a dieta.
Receitas encontradas na internet ou adaptadas por conta própria podem causar deficiências nutricionais no bichinho podendo, ao longo do tempo, provocar problemas de saúde.
“Uma alimentação sem acompanhamento pode desencadear falta de algum nutriente, vitamina e não suprir a necessidade energética daquele animal, ou ainda fazer com que ele fique com a balança positiva, favorecer, por exemplo, a obesidade. Então, o maior problema é a ausência de conhecimento e a projeção inadequada daquele alimento para aquele animal em específico. Essa alimentação natural tem que ser algo personalizado”, acrescenta Calefi.
O que pode fazer parte da alimentação natural?
Entre os ingredientes mais utilizados estão carnes bovinas e de frango, além de vegetais como abóbora, cenoura, chuchu, abobrinha e brócolis. Algumas frutas também podem ser oferecidas, desde que sejam apropriadas para a espécie e em quantidades controladas.
Em muitos casos, a dieta também inclui suplementos vitamínicos e minerais para garantir que todos os nutrientes estejam presentes nas proporções adequadas.
A composição varia de acordo com cada animal e nunca deve seguir uma fórmula única para todos os pets.
“Pode ser que a gente não atinja um nível de alguns minerais e de algumas vitaminas durante o processo de formulação. E aí isso requer a suplementação, como é com os seres humanos também”, explica Calefi.
O que nunca deve ser oferecido?
É importante ainda ficar atento ao que é oferecido aos pets, isso porque diversos alimentos consumidos por humanos podem ser tóxicos para cães e gatos.
Entre eles estão chocolate, cebola, alho, uva, uva-passa, abacate, macadâmia, bebidas alcoólicas, café, alimentos adoçados com xilitol e massas cruas fermentadas.
Também não é recomendado oferecer ossos cozidos, que podem se quebrar facilmente e causar perfurações ou obstruções no sistema digestivo.
Alimentos muito gordurosos, condimentados ou ricos em sal também devem ser evitados.
Alimentação natural é melhor que ração?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os tutores. A resposta, no entanto, é que não existe uma única alimentação padrão ideal para todos os animais.
As rações comerciais classificadas como completas e balanceadas passam por rigorosos controles de qualidade e são formuladas para suprir todas as necessidades nutricionais dos pets. Quando escolhidas de acordo com a idade, porte e condição clínica do animal, são uma opção segura e eficiente.
Já a alimentação natural pode oferecer excelentes resultados quando é preparada corretamente. Por outro lado, dietas improvisadas ou desequilibradas podem causar deficiências nutricionais, obesidade ou outras doenças.
Mudança deve ser gradual
Outro ponto destacado pelos especialistas é que qualquer alteração na alimentação deve acontecer de forma gradual.
A troca brusca entre ração e alimentação natural pode provocar diarreia, vômitos ou outros desconfortos gastrointestinais. O ideal é que a transição seja feita aos poucos, aumentando progressivamente a quantidade da nova dieta conforme orientação veterinária.
“Na maioria das vezes não é uma questão somente do animal, mas é uma questão de quem vai manejar esse animal, se vai conseguir fornecer essa alimentação da forma correta, na hora correta e armazenada da forma certa. Esse que é o principal ponto quando a gente fala de alimentação natural”, finaliza o veterinário.
Alimentação natural ou ração: qual a melhor dieta para seu pet?

