A Vale segue estudando uma possível entrada em mercados como lítio e terras raras, mas ainda não tomou uma decisão sobre avançar em novas commodities, afirmou nesta terça-feira (18) o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta.
Segundo o executivo, a companhia avalia oportunidades fora dos segmentos em que já possui operações consolidadas, mas uma eventual entrada depende de fatores como escala, competitividade e capacidade de desenvolver uma operação que faça sentido dentro do portfólio da Vale.
“Existem algumas commodities onde estamos bastante maduros. A companhia está sempre olhando outras oportunidades, para ver se tem alguma outra commodity que faz sentido. Ela precisa, obviamente, responder a alguns critérios, mas esse é o nosso negócio”, disse Pimenta durante evento sobre mineração em Brasília.
“Hoje ainda não tomamos nenhuma decisão de avançar sobre outras commodities, mas a gente segue estudando outras commodities, como lítio. Estudando se faz sentido entrar e como entrar”, acrescentou.
Pimenta também citou as terras raras entre os mercados acompanhados pela Vale, mas ressaltou que essas cadeias ainda têm dimensões muito menores do que negócios tradicionais da mineradora, como minério de ferro e cobre.
Para o executivo, o interesse nesses minerais está ligado principalmente à importância geopolítica e à expectativa de aumento da demanda com a eletrificação e a digitalização da economia.
“Ainda é um mercado muito pequeno comparado ao minério de ferro e cobre. É um mercado de nicho, mas geopoliticamente importante”, afirmou.
Segundo Pimenta, um dos principais obstáculos para a expansão dessas cadeias fora da China está nas etapas de processamento e refino.
O país asiático concentra grande parte da capacidade industrial necessária para transformar minerais como terras raras em produtos utilizados por setores de alta tecnologia.
“O grande desafio sempre foi escala e a relação do refino, tecnologia, porque está tudo hoje controlado na China”, disse.
Nesse cenário, Pimenta afirmou que vêm ganhando espaço discussões sobre acordos comerciais e outros mecanismos capazes de dar viabilidade econômica à construção de cadeias integradas em outros países.
“Existem muitas discussões na indústria de fazer uma separação desse mercado, onde você tenha acordos comerciais que viabilizem o desenvolvimento da cadeia integrada em outros mercados”, afirmou.
O CEO também ressaltou a parceria da Vale com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que tem ampliado sua atuação no financiamento à pesquisa mineral e a projetos ligados a minerais considerados estratégicos.
No mesmo evento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o banco pretende discutir com a Vale uma atuação maior em lítio, cobre e terras raras. Mercadante também defendeu a inclusão da Petrobras nas discussões sobre o desenvolvimento de uma cadeia nacional de baterias e células de baterias.
A aproximação ocorre em meio à tentativa do governo e do setor privado de ampliar a participação do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral, indo além da extração e da exportação de concentrados.
