O traficante Pierry Sá da Silva, vulgo “PQD”, foi preso na comunidade Gardênia Azul, zona Sudoeste do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (18). Ele é apontado como integrante da “Equipe Astro” e um dos principais líderes e homens de guerra do CV (Comando Vermelho).
“PQD”, de 26 anos, é conhecido como alguém que exerce a função de “frente” das bocas de fumo nas comunidades da Gârdenia Azul e Cidade de Deus. O criminoso seria responsável por coordenar a expansão territorial da facção carioca na região.
De acordo com a Polícia Civil, Pierry exercia papel de liderança armada e atuava diretamente na mobilização de criminosos, na coordenação de ataques e no planejamento de ações violentas voltadas à expansão territorial do Comando Vermelho na zona Sudoeste.
O homem tinha dois mandados de prisão em aberto e ao menos três anotações criminais.
Durante a abordagem, segundo a polícia, PQD atacou os policiais, foi ferido e socorrido para uma unidade de saúde. Com ele, foi apreendido uma pistola.
Entre as recentes ofensivas das quais o criminoso participou estão as disputas territoriais em Curicica, Camorim e na comunidade Asa Branca, além da articulação de sucessivas tentativas de invasão da comunidade de Rio das Pedras, região considerada estratégica pela facção.
Além de”PQD”, um segundo integrante de sua quadrilha foi preso na ação desta manhã. As autoridades apontam que o homem tinha um mandado de prisão em aberto pelo crime de roubo.
O surgimento do Comando Vermelho
A facção foi criada dentro do Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, onde estavam presos comuns e presos políticos durante a Ditadura Militar. A convivência entre eles teria sido um dos motivos para a organização e o surgimento do CV.
Denominado inicialmente de “Falange Vermelha”, o Comando Vermelho nasceu a partir de William da Silva Lima, criminoso conhecido como “Professor”. O homem, que ficou mais de 30 anos preso, entrou no presídio no ano de 1971. Ele foi condenado a quase 100 anos de prisão por crimes como assaltos a banco, extorsão e sequestro.
Na cadeia, “Professor” se portava como um representante dos outros presos e era o grande responsável por falar de forma oficial com as autoridades. Lima é o autor da obra “400×1: Uma história do Comando Vermelho”, na qual ele conta todos os detalhes sobre o surgimento da facção e sua atuação no crime.
“Caldeirão do Inferno” e avanço do CV
De acordo com ele, as condições precárias no Instituto Penal Cândido Mendes, também conhecido como “Caldeirão do Inferno” ou “Caldeirão do Diabo”, fizeram com que os presos começassem a se organizar para acabar com a situação em que viviam.
Em 1979, os presos políticos foram soltos e os membros da “Falange Vermelha” passaram a se organizar de outras maneiras. Os dois principais pontos do grupo passaram a ser as fugas dos presídios e o investimento no tráfico de drogas, principalmente de cocaína.
No ano seguinte, ocorreram mais de 100 fugas, o que deixou o setor bancário em estado de choque, pois boa parte dos presos em Ilha Grande eram assaltantes de bancos. Além disso, entre os anos de 1983 e 1986, o CV expandiu sua atuação para fora dos presídios e começou a dominar bocas de fumo no Rio de Janeiro.
Em 1985, a facção já tomava conta de 70% de todos os pontos de venda de um mercado que gerava muito lucro. É nesse momento em que as guerras por territórios começam.
Atualmente, o Comando Vermelho é considerada a maior facção do Rio de Janeiro e a segunda maior do Brasil.
A facção tem características que denotam um esquema semelhante aos mafiosos, por conta do domínio da cadeia produtiva da maioria das atividades ilegais em que atua. O tráfico de drogas ainda é um dos principais ramos de atuação do grupo criminoso carioca.
Além disso, o CV expandiu a forma como garante os armamentos que são usados nas “guerras“. Hoje, não faz somente o uso de armas importadas de outros países, mas também se vale da fabricação de um “arsenal bélico” no próprio Brasil.
Os principais nomes da facção são Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP (preso), Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar (preso), e Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, que está foragido.

