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BNDES quer Vale e Petrobras em terras raras e minerais críticos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (18) uma participação maior de grandes empresas brasileiras, como Vale e Petrobras, no desenvolvimento das cadeias de minerais críticos e terras raras no país.

Durante evento sobre mineração realizado pela Vale, em Brasília, Mercadante afirmou que o banco pretende discutir com a mineradora oportunidades em lítio, cobre e terras raras e defendeu que a Petrobras também seja incorporada à estratégia.

“Queremos olhar com a Vale o lítio, o cobre — o mundo inteiro está atrás de cobre. E tem que olhar terras raras. Desde que eu era ministro da Ciência e Tecnologia, falo em terras raras. As mineradoras nunca quiseram, porque a China nunca quis que a gente entrasse”, afirmou.

“Acho que está na hora de trazer também a Petrobras para essa conversa. Precisamos produzir as baterias e as células das baterias. É isso que vai trazer valor. E criar uma relação mais parceira entre Estado e mercado”, acrescentou Mercadante.

A declaração não representa, até o momento, o anúncio de um novo projeto da Vale ou da Petrobras no setor. Ela reforça, porém, uma estratégia que já vem sendo construída pelo BNDES para ampliar tanto a produção mineral quanto o processamento e a fabricação, no Brasil, de produtos de maior valor agregado.

Em junho, BNDES e Petrobras assinaram um protocolo para desenvolver iniciativas de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) em minerais críticos e estratégicos. O acordo prevê troca de informações e análises para identificar lacunas de capacidade produtiva e tecnológica relacionadas às cadeias da transição energética e de petróleo e gás.

A aproximação com a Vale também já vinha sendo construída. BNDES e a mineradora estruturaram o FIP (Fundo de Investimento em Participações) Minerais Estratégicos, com previsão de mobilizar até R$ 1 bilhão para investir em cerca de 20 empresas de pequeno e médio porte envolvidas em pesquisa mineral, desenvolvimento e implantação de novas minas no Brasil.

O fundo tem entre os minerais prioritários cobre, lítio, níquel, grafita, terras raras, nióbio, manganês e outros insumos considerados relevantes para a transição energética. Vale e BNDESPar previram aportes entre R$ 100 milhões e R$ 250 milhões cada, com participação de investidores privados completando o capital.

O banco também tenta ampliar a atuação para além da extração. Em 2025, BNDES e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) anunciaram R$ 5 bilhões para financiar projetos de transformação de minerais estratégicos. A iniciativa inclui cadeias de lítio, terras raras, níquel, grafita e silício e prevê apoio a etapas como produção de células de baterias, células fotovoltaicas e ímãs permanentes.

É justamente essa passagem da mina para etapas posteriores da cadeia que Mercadante voltou a defender ao citar a fabricação de células e baterias. O diagnóstico do governo é que apenas ampliar a extração e a exportação dos minerais não seria suficiente para capturar a maior parcela do valor econômico gerado pela demanda global por tecnologias de transição energética, eletrificação e defesa.

A atuação de instituições públicas para reduzir o risco financeiro de projetos minerais também ganhou força internacionalmente. Nos Estados Unidos, o Eximbank (Export-Import Bank of the United States) criou mecanismos para financiar projetos de minerais críticos dentro e fora do país e já anunciou bilhões em cartas de interesse para projetos de minerais críticos.

A DFC (U.S. International Development Finance Corporation), instituição de financiamento ao desenvolvimento dos Estados Unidos, também passou a investir diretamente na segurança da cadeia mineral e assinou financiamento de US$ 565 milhões para a expansão da mina de terras raras da Serra Verde, em Goiás.

A Austrália, outro grande produtor mineral, mantém por meio da EFA (Export Finance Australia) uma linha governamental de AU$ 5 bilhões voltada especificamente para financiar mineração, processamento e infraestrutura de minerais críticos. O objetivo declarado é ajudar projetos a avançarem na cadeia de valor e mobilizar capital privado junto aos recursos públicos.

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