O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (17) que o Brasil tem hoje um “governo pró-bilionário” e associou a concentração de renda no país à taxa de juros.
A declaração foi feita durante evento de um banco privado em São Paulo, que também recebeu os candidatos Geraldo Alckmin (PSB), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
“Hoje, temos governo pró-bilionário. Quem tem dinheiro aplicado nada de braçada no Brasil. Quem tem dívida está morrendo”, afirmou.
Segundo Zema, a atual política de juros amplia a concentração de renda porque beneficia principalmente quem possui recursos financeiros investidos.
“O Brasil de hoje tem concentração de renda muito maior do que o Bolsa Família diz redistribuir. Maior concentração da história devido à taxa de juros. Só ganha quem tem recurso financeiro aplicado”, disse.
Zema afirmou que pretende reduzir os gastos públicos para criar condições para a queda dos juros. Segundo ele, o objetivo é levar a taxa a 6% ao ano. “Vou cortar ainda mais que o Temer cortou. Meu corte vai ser mais profundo e isso baixará a taxa de juros”, declarou.
Cortes de gastos
O candidato defendeu privatizações, uma reforma administrativa e uma reforma da Previdência como medidas para reduzir as despesas do governo federal.
“Tudo que eu puder privatizar, eu irei privatizar”, afirmou destacando que se refere a empresas públicas, e não a institutos e agências federais.
Zema também defendeu uma reforma administrativa para reduzir o tamanho do Estado e afirmou que a carga tributária começará a cair em um eventual governo.
Sobre a Previdência, disse que o aumento da expectativa de vida exige mudanças nas regras. “Não adianta querer enganar o povo que não tem como fugir dela. Eu sou aquele pai que fala para o filho a verdade, não que fica enganando que o mundo é cor de rosa”, afirmou.
O candidato também defendeu mudanças nos programas sociais para combater fraudes e exigir contrapartidas dos beneficiários, como conclusão dos estudos e aceitação de ofertas de emprego.
Banco Central
Zema afirmou ainda que pretende manter a independência do Banco Central e disse que não haverá interferência do Executivo na instituição.
“Quero o Banco Central totalmente independente, como a lei já prevê, sem nenhuma intromissão do Poder Executivo”, afirmou.
Segundo o candidato, a combinação entre controle de gastos e autonomia do Banco Central seria necessária para reduzir os juros e, consequentemente, o custo de produção no país.
Zema também citou a simplificação da legislação tributária e uma mudança na legislação trabalhista como medidas para reduzir o chamado Custo Brasil.

