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Ex-BBB Lia Khey leva macramê à Alemanha e celebra expansão da arte

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Ex-BBB Lia Khey leva macramê à Alemanha e celebra expansão da arte

Conhecida por sua marcante participação na 10ª edição do Big Brother Brasil, Lia Khey, 45, vive hoje uma consagração que vai muito além das telas.

A artista têxtil — que atualmente vê suas esculturas ocupando desde galerias na Europa a edições da CASACOR no Brasil — encontrou no macramê uma forma profunda de pensar o mundo, ressignificar a própria trajetória e traduzir outras tantas histórias.

A virada de chave aconteceu quando a técnica deu lugar a uma nova narrativa e a busca por um propósito maior tomou conta do fazer manual. “Acho que essa percepção aconteceu quando eu entendi que não estava mais interessada apenas no que eu conseguia construir com os fios, mas no que eu conseguia dizer por meio deles”, conta à CNN Brasil.

“O nó começou a carregar conceitos, memórias, histórias, questões sobre pertencimento, identidade, feminino e ancestralidade”, acrescenta.

Tal filosofia ganhou corpo no projeto batizado de “Desata Nós”, desenvolvido por Lia com mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica. “O próprio nome parte dessa analogia: enquanto a gente ata nós com as mãos, a gente pode desatar nós internos”, explica.

“O nó deixa de ser apenas aquilo que prende duas partes e passa a ser também uma possibilidade de transformação. Hoje eu já nem sei se consigo separar muito bem uma coisa da outra: eu penso enquanto faço”, garante.

Se criar uma peça do zero exige um desapego da pressa cotidiana e entrega absoluta do tempo, Lia descreve o processo como um estado de graça e diálogo constante com a matéria.

“Eu não sou uma artista que necessariamente parte de uma imagem completamente pronta. O fio responde, a estrutura responde, o corpo responde. Num mundo em que tudo parece pedir velocidade, existe quase uma resistência em dedicar horas, dias, às vezes meses, a uma coisa que só vai existir porque você permaneceu ali”, detalha.

Do Brasil para a Alemanha

Recentemente, Lia foi convidada pela artista e curadora Pati Scheld para integrar o festival Poesia im Park, na Alemanha — momento esse que também marcou sua consolidação internacional. Por lá, ela levou obras de forte apelo emocional, como “Eu Céu, Eu Mar e Cordão Umbilical” — essa última criada em homenagem à sua mãe.

A passagem pelo país ainda expandiu a vertente social do seu trabalho. Além de apresentar “Eu Terra”, obra coletiva desenvolvida com as mulheres da ONG brasileira Bem Querer Mulher, a ex-BBB conduziu oficinas para imigrantes na organização Imbradiva.

“Eram outras histórias, outras origens, outras línguas, outras travessias, mas o fio criou imediatamente um lugar de encontro”, relembra ela.

“Foi muito forte perceber isso tão longe do Brasil: antes da palavra, existe o gesto. Você não precisa falar a mesma língua para ensinar um nó, construir alguma coisa juntas ou reconhecer a potência do que a outra acabou de criar. O fazer manual se torna uma espécie de língua universal”, adiciona.

Ainda na Europa, ela realizou uma residência artística ao lado de Scheld, em Wiesbaden, resultando na obra “Iabá”, e encerrou a turnê com uma exposição individual na Casa +55, em Mannheim, dialogando com grandes nomes da arte contemporânea local.

CorpoLume: quando a luz vira matéria

De volta ao Brasil, a pesquisa de Lia ganhou um novo capítulo com a série “CorpoLume”, na qual a iluminação deixa de ser um mero acessório para estruturar a própria escultura.

“Eu não queria simplesmente iluminar uma escultura. O que me interessava era outra coisa: fazer da luz matéria da própria obra”, detalha. “Não havia um espaço vazio: havia um espaço onde cabia luz”, explica.

A poesia desse novo momento reflete a própria jornada de autodescoberta e amadurecimento sob os holofotes.

“A escultura luminosa que eu crio é feita, antes de tudo, para iluminar a si mesma, e não apenas o ambiente ao seu redor”, afirma. “Para iluminar o mundo, a gente precisa primeiro se iluminar, reconhecer em si a própria luz. É uma luz que nasce de dentro e, só então, alcança aquilo que está ao redor”, conta.

Exibindo simultaneamente em três edições da CASACOR (Tocantins, Porto Alegre e Bahia) e conquistando novos espaços nas artes plásticas, Lia olha para os seus múltiplos caminhos públicos sem preconceitos, enxergando no passado a bagagem necessária para sustentar a maturidade do seu presente.

“Minha trajetória não foi linear, e durante muito tempo enxerguei isso como uma fragilidade. Hoje percebo que justamente as muitas coisas que vivi, estudei, atravessei e fui ao longo da vida alimentam a artista que eu sou”, pontua.

“Meu trabalho está chegando a lugares que, algum tempo atrás, eu talvez nem soubesse imaginar. Mas, curiosamente, quanto mais ele se expande, mais eu sinto necessidade de voltar para dentro e entender o que eu realmente quero dizer”, diz.

“O maior aprendizado talvez seja esse: expansão não é necessariamente ir para longe de si. Às vezes, crescer é justamente conseguir chegar cada vez mais perto daquilo que é essencial em você e ter coragem de sustentar isso”, conclui.

@cnnpopOLHA NO MEU OLHO! Lia Khey (@liakhey), uma das participantes mais marcantes que já passaram pelo BBB, também participou do Papo Pop – nosso programa semanal sobre tudo o que acontece na edição deste ano! Você que já acompanha, já sabe: ela não escapou do nosso ping pong sobre o BBB 26 e a edição dela, o BBB 10, que tinha um elenco de peso como Marcelo Dourado, Serginho Orgastic, Anamara e, claro, Lia Khey, uma das maiores jogadoras da edição. Assista o programa na íntegra no YouTube de CNN Pop!♬ som original – CNNPop

Lugares em São Paulo para desacelerar e criar com as próprias mãos

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