A Abu Dhabi Ports (AD Ports), um dos principais grupos logísticos dos Emirados Árabes Unidos, está interessada em entrar na disputa pelo novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP).
Segundo relatos feitos à CNN, o embaixador do país no Brasil, Sharif Essa Alsuwaidi, procurou integrantes do governo na semana passada para falar sobre o interesse do grupo e pedir que armadores (companhias de navegação marítima) sejam liberados para participar do leilão.
A AD Ports, controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi e dona de 34 terminais portuários, tem capacidade global para movimentar 12 milhões de TEUs (contêineres-padrão de 20 pés) por ano.
Fora dos Emirados Árabes Unidos, são operações em países como Egito, Congo, Paquistão, Angola e Bangladesh.
O grupo adquiriu, em 2022, a armadora espanhola Noatum. Com base em Barcelona, a empresa opera linhas marítimas para diversos países do mundo, mas não está no ranking das 20 maiores do setor.
No primeiro semestre, fechou a compra da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura), operadora de terminais de granéis sólidos nos portos de Santos e de Itaqui (MA).
Agora, o apetite do grupo se volta para o leilão do Tecon Santos 10, que deve receber investimentos de mais de R$ 6 bilhões e ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina.
O leilão, no entanto, é prometido desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seguidamente adiado diante de uma indefinição nas regras sobre quem poderia participar do certame.
Ao analisar a modelagem do Tecon Santos 10, o TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou o veto à entrada de armadores, a fim de evitar uma verticalização no setor — com companhias de navegação operando terminais.
O MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) acatou as orientações do TCU e enviou diretrizes para a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), responsável pela elaboração do edital.
Posteriormente, a Casa Civil interveio no processo e cobrou mudanças na modelagem. Em nota técnica do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), defendeu um leilão aberto e em fase única, sem restrições aos atuais donos de terminais em Santos — mediante a venda de seus ativos em caso de vitória na disputa do Tecon 10 — e às companhias de navegação.
Diante do impasse, foi montado um grupo de trabalho para unificar as diretrizes à Antaq e dar um encaminhamento definitivo sobre as regras. O GT completou um mês na sexta-feira (14) e até agora não se pronunciou.
A AD Ports surge como novo fator na intrincada equação de interessados no terminal. Gigantes como a suíça MSC, a dinamarquesa Maersk e a chinesa Cosco têm sido ativas nos preparativos do leilão — mas podem esbarrar em restrições à participação delas.
A filipina ICTSI, maior operadora independente (sem navios) de terminais de contêineres do mundo, e a JBS Terminais também vêm se movimentando nas etapas prévias ao leilão.
Outra empresa dos Emirados Árabes Unidos, a DPW (Dubai Ports World) detém um dos três terminais de contêineres em operação atualmente em Santos.
A companhia, no entanto, não tem interesse em vender o ativo — pré-condição para eventualmente participar da disputa pelo Tecon 10.
A CNN entrou em contato com a embaixada dos Emirados Árabes Unidos, mas não obteve retorno.

