Os relacionamentos da Geração Z estão se tornando mais diversos, mas isso não significa que valores como diálogo, respeito e apoio emocional perderam importância. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo InstitutoZ, núcleo de pesquisa da Trope-se, uma consultoria de novas gerações que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócios.
Ao investigar como jovens constroem seus vínculos afetivos, o levantamento identificou que o relacionamento aberto é mais de três vezes mais comum entre pessoas LGBTQIA+ (21,7%) do que entre jovens hétero/cis (6,5%), sem que isso reduza a importância atribuída à comunicação e ao cuidado emocional nas relações.
“Para grupos LGBT+, sair de modelos tradicionais de relação não é só uma questão de preferência estética, muitas vezes é uma resposta ao modelo de casamento hétero-monogâmico tradicional, que historicamente não foi desenhado pra incluir essas relações. Não é só “mais aberto”, é também “menos preso a um script que nunca coube”, afirma Paula Cisneiros, Antropóloga e Head de Pesquisa do InstitutoZ.
Entre os respondentes LGBT+, 21,7% afirmam já ter vivido um relacionamento aberto, percentual mais de três vezes superior ao registrado entre jovens hétero/cis, que equivale a 6,5%.
A pesquisa também aponta uma maior experiência com formatos menos convencionais de vínculo: 43,6% dos respondentes LGBT+ já passaram por relações indefinidas, contra 24,1% do grupo hétero/cis.
Apesar da maior pluralidade de experiências, os pilares considerados essenciais para uma relação saudável permanecem bastante consistentes. O diálogo aparece como principal prioridade para ambos os grupos, sendo citado por 60,4% dos participantes LGBT+ e por 59% dos hétero/cis.
Entre os jovens LGBT+, no entanto, alguns aspectos ganham peso adicional. O respeito aos limites é considerado fundamental por 47,6% dos respondentes, frente a 39% entre os hétero/cis. Já o apoio emocional aparece para 29,7% do primeiro grupo, enquanto entre os demais o índice é de 19,6%.
“Formato e compromisso são duas coisas diferentes que o senso comum costuma confundir. A GenZ está flexibilizando a primeira sem abrir mão da segunda. Compromisso deixou de significar ‘seguir um modelo pré-definido de relação’ e passou a significar ‘manter o vínculo de comunicação, independente de qual estrutura a relação assume’”, aponta Paulo.
“Você negocia o formato, mas não negocia o diálogo. O diálogo virou o verdadeiro contrato da relação, o formato é só a configuração que esse contrato assume”, aponta Paula.
A pesquisa também identificou mudanças importantes na forma como a geração percebe os relacionamentos atualmente. Entre as pessoas LGBT+, 46,5% acreditam que hoje existe mais espaço para conversar sobre sentimentos nas relações, enquanto 33,7% percebem um aumento da honestidade emocional. Entre os jovens hétero/cis, os percentuais são de 31,7% e 18,3%, respectivamente.
Outro aspecto relevante envolve a autonomia individual. Quase metade dos respondentes LGBT+ (48,1%) avalia que as relações se tornaram mais abertas à liberdade pessoal nos últimos anos. Entre os participantes hétero/cis, essa percepção é compartilhada por 30,8%.
Os resultados sugerem que a construção dos vínculos afetivos passa cada vez mais por negociações explícitas, conversas sobre expectativas e acordos construídos em conjunto, especialmente entre aqueles que não se identificam com modelos tradicionais de relacionamento.
Namoros fora do feed: linguagem do amor da Geração Z é mais discreta
* Publicado por Gabriela Carvalho, colaboração para CNN Brasil

