A Cogna encerrou o segundo trimestre do ano com lucro líquido ajustado de R$ 210,2 milhões, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A companhia também registrou crescimento de dois dígitos na receita consolidada, com destaque para o desempenho da operação de educação básica.
Em entrevista ao CNN Money, Roberto Valério, responsável pela condução executiva da Cogna, destacou que o desempenho da companhia deve ser analisado sob uma perspectiva semestral, devido à sazonalidade do setor.
“Na educação, os trimestres são muito marcados pela sazonalidade. A melhor maneira de olhar é sempre o semestre, porque aí tem a sazonalidade completa”, afirmou.
Educação básica lidera crescimento
A educação básica foi o principal destaque do período, com crescimento de 50% na receita no trimestre e de 63% no semestre.
Segundo Valério, o resultado foi impulsionado tanto pela venda de serviços para escolas, no modelo B2B, quanto pela comercialização de livros e serviços para governos, incluindo o governo federal, por meio do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), e secretarias estaduais e municipais de educação.
No ensino superior, a receita cresceu 8,5% e o Ebitda, 6,5% no semestre. O desempenho foi influenciado pela sazonalidade do setor e por uma transição regulatória que vem redirecionando alunos da educação a distância para os modelos semipresencial e presencial.
A geração de caixa livre da Cogna cresceu 87,8% no segundo trimestre, para aproximadamente R$ 252 milhões.
No acumulado do ano, o valor já ultrapassa R$ 504 milhões, ante R$ 716 milhões registrados em todo o ano anterior.
Valério atribuiu o avanço à maior eficiência na gestão do contas a receber e ao fluxo de pagamentos de contratos com escolas e governos, além da redução gradual da dívida líquida.
“A geração de caixa vem do operacional mesmo, cada vez mais integrada”, disse.
O executivo também citou como fator positivo o fechamento de capital da Somos Educação, que era listada na Nasdaq, e sua posterior fusão com a Saber no Brasil. Segundo ele, a operação trouxe sinergias e eliminou custos relacionados à auditoria e à manutenção de uma empresa listada no exterior.
Redução da dívida é prioridade estratégica
A dívida líquida da Cogna recuou para R$ 2,775 bilhões, com alavancagem de 1,1 vez, patamar bem abaixo do registrado em 2020, quando o índice superava três vezes.
Valério afirmou que a redução da dívida continua entre as principais prioridades da companhia, especialmente diante do cenário de juros elevados.
“Com juros tão altos e a despesa financeira que a gente tem, a gente entende que ainda é importante continuar reduzindo”, declarou.
A alocação de caixa segue três frentes: redução da dívida, retorno aos acionistas e aquisições estratégicas.
Neste ano, a companhia distribuiu cerca de R$ 150 milhões em dividendos e realizou a compra de 90% do EduqueBank, fintech voltada a produtos financeiros para escolas, por menos de R$ 50 milhões.
Sobre o avanço da inadimplência no Brasil, Valério reconheceu o desafio, mas afirmou que a Cogna tem conseguido manter o indicador sob controle.
No segundo trimestre, a PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) melhorou 0,6 ponto percentual.
Segundo o executivo, a companhia acompanha de perto o mercado de varejo como indicador antecedente e investe em processos de renegociação com alunos.
“A gente já tem processos muito azeitados para ajudá-lo no momento em que ele, às vezes, atrasa um dia”, afirmou.
Apesar da melhora, Valério avalia que o segundo semestre será desafiador diante do aumento do endividamento das famílias e da desaceleração da economia.
Em relação aos programas governamentais de financiamento estudantil, a Cogna possui cerca de 120 mil alunos beneficiados pelo ProUni, o equivalente a aproximadamente 10% da base total de 1,2 milhão de estudantes.
O FIES representa uma parcela menor, com 6 mil a 7 mil alunos, reflexo da redução do acesso ao programa nos últimos anos.
Segundo Valério, atualmente o financiamento via FIES está concentrado principalmente nos cursos de medicina.
Para ele, o programa “precisa se tornar um pouco mais atrativo para que volte a ter uma demanda grande”.

