O desdobramento prolongado do USS Abraham Lincoln e a insistência do presidente dos EUA, Donald Trump, para que novos porta-aviões utilizem catapultas a vapor para lançar aeronaves — em vez de uma alternativa mais avançada — poderiam afetar a prontidão geral da Marinha, disse um especialista à Reuters.
“A Marinha enfrenta agora um desafio de prontidão, e a situação só vai piorar quando chegar a hora de pagar a conta desta guerra, tanto em termos humanos quanto financeiros”, afirmou Bryan Clark, pesquisador sênior e diretor do Centro de Conceitos e Tecnologia de Defesa do Instituto Hudson.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou na quinta-feira (13) que os relatos sobre as condições precárias a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Oriente Médio, foram “totalmente distorcidos”.
Na sexta-feira (14), Trump afirmou que o tempo de desdobramento do USS Abraham Lincoln “não foi nem de longe suficiente” e descartou as preocupações com as condições a bordo da embarcação, após dois veículos de imprensa especializados em assuntos militares relatarem a queda do moral e tentativas de suicídio entre a tripulação.
O porta-aviões está no Oriente Médio desde janeiro, apoiando o esforço de guerra dos EUA contra o Irã.
Uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato, informou que o porta-aviões George Washington está a caminho da região para substituir o Lincoln. Segundo a autoridade, essa movimentação já estava planejada.
A ordem de Trump para utilizar catapultas a vapor exigiria que a quarta embarcação da classe de porta-aviões Gerald R. Ford abandonasse o EMALS (Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves), utilizado nas três primeiras unidades. Estima-se que essa alteração no projeto custará centenas de milhões de dólares aos contribuintes.
A mudança no projeto ocorrerá no Doris Miller, o quarto navio da planejada classe Ford. O assentamento da quilha do Doris Miller está previsto para o final de 2026, com entrega estimada pela Marinha para o início de 2034.
Trump tem criticado frequentemente o sistema de lançamento eletromagnético da Marinha, alegando que ele é mais caro e menos eficaz do que as catapultas a vapor.
“Provavelmente seria um processo de reformulação de vários anos, custando bilhões de dólares para redesenhar o navio”, disse Clark, referindo-se ao Doris Miller.
Quando a Marinha selecionou o EMALS em 2009, afirmou que o sistema reduziria os custos totais do ciclo de vida, exigiria menos manutenção do que as catapultas a vapor e geraria menos estresse físico nas aeronaves embarcadas.
O sistema, também escolhido pela Marinha da França, enfrentou problemas iniciais, mas, desde então, já realizou milhares de lançamentos.
Como é o porta-aviões USS Abraham Lincoln onde marinheiros vivem crise

