Especialistas apontam que a região da Margem Equatorial, no extremo norte do Brasil, tem potencial para se transformar em um “novo pré-sal” para o país. A comparação não se refere à formação geológica das bacias — que são distintas —, mas sim ao expressivo potencial em volume de barris de petróleo que a área pode oferecer. A apuração é do analista de Política da CNN Caio Junqueira.
Segundo o analista, o pré-sal clássico, localizado na região Sudeste, possui reservas estimadas em 12 bilhões de barris. Na Margem Equatorial, a estimativa mais conservadora aponta para 6 bilhões de barris — metade do pré-sal —, mas há projeções que chegam a 10 bilhões de barris. “Por isso que é considerada como uma grande fronteira petrolífera e das últimas do mundo”, afirmou Junqueira.
Licença concedida após pressões
A pesquisa da Petrobras na região foi inicialmente adiada. Segundo Junqueira, o governo segurou o processo por algum tempo, mas, após intensa pressão — inclusive de Lula e de Davi Alcolumbre, do Senado —, o Ibama concedeu a licença para a perfuração de pesquisa. O analista ressaltou, no entanto, que o caminho entre a pesquisa e a geração efetiva de receita é longo: “Da pesquisa para virar dinheiro, tem uma estimativa que pode ser 5 anos, 6 anos, 7 anos.” Como referência, ele citou o poço de Búzios, no Rio de Janeiro, onde foram necessários aproximadamente quatro anos até o início de algum tipo de exploração.
Qualidade do petróleo e comparação com a Guiana
Junqueira destacou que a qualidade do petróleo da Margem Equatorial tende a ser elevada, pois a bacia é a mesma da Guiana, país vizinho ao Brasil. “A Guiana hoje é o país que mais cresce no mundo justamente em razão da exploração de petróleo”, observou. Esse fator amplia as expectativas em torno da descoberta, que já movimenta o mercado mundial, especialmente em um contexto de forte dependência global do petróleo, evidenciada pelo debate acirrado em torno do tema em razão do conflito no Oriente Médio.
Impacto para os estados mais pobres
Um aspecto central do debate envolve a destinação dos recursos que poderão ser gerados. Os estados que margeiam a Margem Equatorial brasileira estão entre os mais pobres do país — como o Amapá e o Maranhão. Junqueira alertou para a necessidade de uma aplicação adequada dessas receitas: “Tem que ter o debate de fazer uma devida aplicação desses recursos, para não cometer o mesmo erro que foi feito com os recursos do pré-sal, que acabou sendo destinado para poucos órgãos e municípios.”

