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Análise: Quem poderá ser a nova secretária de imprensa do governo Trump?

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Análise: Quem poderá ser a nova secretária de imprensa do governo Trump?

O mais novo passatempo de Washington é: quem será o sucessor de Karoline Leavitt como secretário de imprensa do governo Trump?

Os nomes começaram a circular em mesas de jantar e em grupos de mensagens depois que o presidente Donald Trump anunciou, na quarta-feira (13), os planos de sua secretária de imprensa de deixar o cargo no fim do mês para passar mais tempo com sua jovem família. A decisão altera a estrutura de comunicação de seu governo a menos de três meses das eleições de meio de mandato.

Para um presidente que acredita ser seu próprio melhor porta-voz, substituir Leavitt, que assumiu uma postura proativa e de grande exposição pública, mas também se tornou uma de suas assessoras mais confiáveis, será um desafio.

“Ela é única. Ninguém jamais será capaz de fazer o que ela fez”, disse o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, à CNN em uma mensagem de texto na quinta-feira (14).

Segundo uma fonte ouvida pela CNN, não estava imediatamente claro para alguns funcionários da Casa Branca quem ocuparia o cargo. Uma fonte próxima à Casa Branca sugeriu que o presidente talvez não indique um substituto antes das eleições de meio de mandato, enquanto alguns previram que o posto poderia permanecer vago durante os dois anos e meio restantes do mandato de Trump.

Mas um estrategista republicano, que pediu anonimato para poder falar livremente, afirmou que o cargo deveria ser preenchido, e rapidamente.

“É mais um recurso que pode ser mobilizado para as eleições de meio de mandato”, disse.

Potenciais candidatos

O presidente ainda não se manifestou sobre quem poderia ocupar o lugar de Leavitt.

Mas cerca de uma dúzia de nomes surgiu como possíveis opções a partir das conversas da CNN com vários profissionais de comunicação e assessores que fazem parte do círculo de Trump. A Casa Branca minimizou qualquer lista de candidatos, classificando-a como especulação ou mera manifestação de desejos, e a CNN não confirmou até que ponto Trump está considerando qualquer uma dessas pessoas ou se elas estão de fato interessadas no cargo.

Alguns dos nomes são de atuais ou ex-funcionários de Trump, muitos têm experiência em canais de televisão a cabo e pelo menos um deles é membro da família Trump.

Entre os nomes que circulam está Scott Jennings, que trabalhou na Casa Branca de George W. Bush e ganhou destaque como comentarista da CNN, defendendo o presidente em debates e discussões.

Jennings — que, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, contou com o apoio de Donald Trump Jr. para o principal cargo de porta-voz durante a transição presidencial — desconversou sobre seu interesse pelo posto desta vez.

“Eu não sei, mas vou dizer uma coisa: Karoline Leavitt foi talvez a maior secretária de imprensa da Casa Branca dos últimos 30 anos, pelo menos. Ela foi simplesmente brilhante”, disse ele na quarta-feira no programa NewsNight with Abby Phillip, da CNN.

Alina Habba, ex-advogada e assessora política de Trump que ocupou brevemente o cargo de procuradora interina dos EUA para o Distrito de Nova Jersey, foi apontada como uma possibilidade por contar com a confiança de Trump.

E então há a número dois de Leavitt, a vice-secretária de imprensa principal Anna Kelly, que faz parte de um pequeno grupo de funcionários autorizados a atuar como representantes do governo em veículos como a Fox News.

Tricia McLaughlin, que se tornou uma presença frequente nos canais de televisão a cabo durante seu período como porta-voz do Departamento de Segurança Interna, quando defendia de forma contundente as políticas de Trump para a fronteira, poderia ser outra opção que conquistou a confiança do presidente.

Elizabeth Pipko, ex-modelo e porta-voz do Comitê Nacional Republicano, tem laços estreitos com a família Trump e chegou a ser considerada para o cargo antes da escolha de Leavitt, segundo uma fonte próxima a Trump.

Monica Crowley, ex-comentarista da Fox News que atualmente ocupa o cargo de chefe do protocolo dos EUA, costuma viajar com o presidente e receber líderes mundiais que visitam Washington.

Aliados de Roma Daravi, que trabalhou na equipe de imprensa de Trump durante seu primeiro mandato e atualmente é diretora de comunicação do conturbado Kennedy Center, vêm promovendo seu nome nas redes sociais como uma possível candidata ao cargo.

A nora do presidente, Lara Trump, também poderia ser uma opção. Ela presidiu o Comitê Nacional Republicano durante a campanha presidencial de 2024 e atualmente apresenta um programa semanal na Fox News.

Outros nomes mencionados nas conversas da CNN incluem o veterano profissional de comunicação de Trump, Jason Miller; o ex-vice-secretário de imprensa principal Harrison Fields; e a ex-apresentadora da ESPN que se tornou aliada do movimento MAGA, Sage Steele.

Os mercados de previsão também começaram a fazer suas apostas. O Kalshi Politics colocou Habba, Kelly, Miller e Daravi no topo de sua lista na manhã de quinta-feira. (A CNN tem uma parceria com a Kalshi e utiliza seus dados para cobrir grandes acontecimentos. No entanto, funcionários da redação da CNN não estão autorizados a utilizar mercados de previsão.)

Também é perfeitamente possível que o presidente escolha um caminho completamente diferente.

“Haverá muitas pessoas tentando criar alarde. Se alguém parecer ansioso demais ou como se estivesse pressionando excessivamente, isso pode fazer o presidente perder o interesse”, disse Erin Maguire, estrategista republicana e porta-voz da campanha presidencial de Trump em 2020.

Sem um herdeiro aparente

Uma das razões pelas quais um substituto não ficou imediatamente claro, segundo várias fontes familiarizadas com o assunto, é que o momento da decisão de Leavitt pegou o presidente e a Casa Branca de surpresa.

Antes do nascimento de seu segundo filho, em maio, Leavitt havia sugerido em conversas privadas que poderia permanecer no cargo durante todo o segundo mandato de Trump. Isso não agradou a alguns integrantes da equipe. Uma fonte familiarizada com o assunto levantou preocupações de que Leavitt não havia criado uma reserva de talentos em sua equipe de comunicação, o que agora está se tornando um problema.

“A equipe realmente não teve espaço para se mostrar como uma sucessora natural”, disse essa fonte, acrescentando que os antecessores de Leavitt no primeiro mandato de Trump haviam sido intencionais ao dar mais autonomia a funcionários de níveis inferiores.

Leavitt que, segundo Trump, continuará atuando como assessora externa,  provavelmente terá alguma influência sobre a decisão final de Trump, sugeriu a fonte.

No curto prazo, várias fontes disseram que a Casa Branca poderia voltar ao modelo utilizado durante a licença-maternidade de Leavitt, recorrendo ao vice-presidente JD Vance e ao secretário de Estado Marco Rubio, entre outras autoridades de alto escalão, para transmitir as mensagens do dia e responder às perguntas da imprensa, embora eles tenham lidado com a pressão do púlpito em níveis variados de sucesso.

O que Trump está priorizando

Trump não é um presidente tradicional que precise de um secretário de imprensa tradicional para fazer a ponte com a mídia. Ele frequentemente fala diretamente com a imprensa e também é conhecido por responder a ligações e mensagens de texto de repórteres.

Independentemente de escolher alguém que apareça na televisão ou alguém que atue mais nos bastidores, sua escolha terá que contar com a confiança dele.

“Não vejo uma situação em que alguém de fora do círculo venha a ocupar o cargo. Esse é o maior obstáculo: existe um grupo pequeno de pessoas qualificadas e suficientemente próximas do círculo para serem consideradas”, disse Maguire.

Há também a questão da imagem.

“Tudo é analisado sob a ótica do “elenco ideal””, disse uma fonte próxima de Trump, acrescentando: “Não acho que ele se importe com quem realmente consegue fazer o trabalho. Acho que é uma questão de como essa pessoa se parece.”

Mas outra fonte sugeriu que ele talvez queira alguém que seja “menos celebridade” do que Leavitt, que se tornou conhecida do grande público e conquistou mais de 3 milhões de seguidores no Instagram durante o segundo mandato de Trump.

Muitos dos possíveis candidatos têm promovido o presidente e suas políticas em veículos de comunicação de direita, e Leavitt consolidou a prática de recorrer a repórteres aliados durante suas coletivas, incluindo a criação de um espaço para a chamada “nova mídia”.

Mas a fonte próxima de Trump sugeriu que qualquer candidato viável deveria passar algum tempo defendendo o presidente em outras redes de televisão, a fim de se preparar para a rápida sequência de perguntas na sala de imprensa.

“Não acho que as pessoas compreendam o quanto de estudo é necessário para fazer esse trabalho, quanto é preciso ler, quanto é necessário entender profundamente cada assunto sobre o qual você possa ser questionado — não acho que todo mundo reconheça o quanto de trabalho isso exige”, disse a fonte.

Mas, no fim das contas, o sucessor de Leavitt terá que atuar para uma plateia de uma única pessoa.

“É o maior púlpito do mundo, então ocupar esse papel é uma das decisões mais importantes que o presidente vai tomar, porque ele se importa com a mensagem, se importa com a forma como ela é transmitida e se importa com quem é o mensageiro”, disse Maguire.