O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri, afirmou nesta sexta-feira (14) que vê indícios de uma possível intimidação no episódio envolvendo policiais militares e o motorista de Fernando Haddad (PT) e defendeu uma investigação aprofundada da Corregedoria da Polícia Militar.
Em entrevista à CNN Brasil, Caseri afirmou que solicitou a abertura de um procedimento assim que tomou conhecimento do caso e avaliou que a investigação não deve se limitar a verificar se houve ou não uma abordagem inadequada.
“Há indícios de intimidação no meu ponto de vista. Pode ter sido uma baita coincidência”, disse Caseri.
Segundo o ouvidor, é necessário esclarecer principalmente a informação de que uma viatura teria seguido ou acompanhado o veículo depois que o motorista deixou Haddad em casa.
“História de seguir, de acompanhar, eu iria além no meu ponto de vista”, disse.
Caseri defendeu, inclusive, que seja avaliada a quebra do sigilo telefônico dos dois policiais que estavam na viatura para verificar se houve alguma comunicação relacionada a Haddad durante o episódio.
“Solicitaria a quebra do sigilo telefônico dos dois soldados que estavam na viatura, por conta de quem é a pessoa e pela circunstância”, argumentou.
“Precisamos entender isso”
Para o ouvidor, a investigação precisa considerar a possibilidade de os policiais terem reconhecido Haddad e, a partir disso, decidido acompanhar o veículo.
“Vamos dizer que eles tenham percebido que era o Haddad e queriam dar uma pressão nele. Precisamos entender isso. Se você tem dúvida, para o carro e pede documentação”, disse Caseri.
O ouvidor também relatou que tomou conhecimento de que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) havia divulgado uma manifestação indicando não ter identificado irregularidades na conduta dos policiais. Para ele, no entanto, uma conclusão definitiva depende do aprofundamento das investigações.
“Tem que ser apurado na Corregedoria se houve erro ou não.”
Caseri acrescentou que uma investigação precisa levar em consideração “todos os aspectos” antes de considerar o episódio esclarecido.
“Não pode se dizer que está tudo resolvido. Só quando passar por todos os aspectos possíveis”, disse.
Segundo ele, a condição de Haddad como figura pública e candidato ao governo de São Paulo também precisa ser considerada na análise do episódio.
“Se fosse um cidadão comum, levaria em conta a abordagem. Agora, não é um cidadão comum. A Corregedoria deve apurar e investigar.”
Versão dos PMs também deve ser checada
Caseri disse ainda que tomou conhecimento de uma versão segundo a qual os policiais estariam na região em razão de uma ocorrência de furto. Para o ouvidor, porém, é necessário verificar detalhadamente essa justificativa.
“Pelo que entendi, pelos relatos dos policiais, tinha um caso de um furto, mas nada bate com o carro que o Haddad estava, horário, nada. Então, acho que poderia apurar com um pouco mais de detalhamento.”
Entre os pontos que, de acordo com ele, podem ser verificados pela Corregedoria está uma eventual consulta da placa do veículo ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).
“Os policiais pediram para o Copom checar a placa? Isso precisa ser checado”, defendeu.
Caseri ressaltou que a Ouvidoria encaminhou o caso para investigação e que a Corregedoria possui instrumentos para aprofundar a apuração.
“A gente está tratando da maneira como trata todas as denúncias. Já encaminhamos para a Corregedoria e pedimos apuração.”
Na avaliação do ouvidor, uma investigação desse tipo pode levar até 90 dias. Ele afirmou ainda que, caso uma eventual quebra de sigilo seja formalmente solicitada e autorizada, os dados poderão integrar a apuração.
“Corregedoria sabe fazer isso, faz com qualidade”, concluiu.
