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Israelenses tomam casas palestinas na Cisjordânia após cerco de colonos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Israelenses tomam casas palestinas na Cisjordânia após cerco de colonos

Na quinta-feira (13), tropas israelenses ocuparam posições dentro de casas palestinas na aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada, informou o prefeito, depois que colonos israelenses mantiveram famílias palestinas cercadas durante esta semana. Segundo os palestinos, o cerco tem como objetivo forçá-los a deixar suas terras.

O cerco começou no fim de semana, quando colonos judeus bloquearam a estrada que leva às três casas na aldeia palestina de Qusra e montaram uma barraca nos quintais das residências, impedindo que qualquer pessoa entrasse ou saísse. Antes disso, os colonos haviam cortado o fornecimento de eletricidade e água das casas.

Até a noite de quinta-feira, tropas israelenses ainda mantinham posições em três casas de Qusra, segundo o prefeito, Abed Al Athem Wadi, e moradores. Uma delas fica nos arredores da aldeia, entre as três cercadas pelos colonos, enquanto as outras duas estão mais próximas do centro da localidade.

Fotos da Reuters mostraram vários soldados israelenses do lado de fora de uma das casas. Os soldados informaram às famílias que as operações em Qusra poderiam continuar até domingo, segundo moradores.

Em comunicado, os militares israelenses disseram que soldados foram enviados a Qusra na manhã de quinta-feira para proteger os moradores e manter a segurança, e que “receberam instruções de que os moradores de Qusra permanecerão em suas casas”.

Os militares acrescentaram que “os soldados não atuarão dentro da casa da família palestina localizada próxima ao local onde estava instalada a barraca que foi evacuada e desmontada”. Não ficou imediatamente claro a qual das três casas os militares se referiam.

Loui Ridi, um palestino-americano que mora em Ohio e cujo irmão está cercado dentro de sua casa, disse que se sentia impotente.

“É aterrorizante, é frustração, é medo pela vida da minha família”, disse ele à Reuters por telefone.

Ridi afirmou que vinha acompanhando os acontecimentos por meio da câmera de segurança instalada em sua casa em Qusra, mas que os soldados a retiraram nesta quinta-feira. Ele disse que planejava viajar para a casa em breve.

A ONU (Organização das Nações Unidas) informou em comunicado que cerca de 15 palestinos, incluindo duas crianças, estavam presos dentro de suas casas, sem água ou eletricidade.

Governo Netanyahu ampliou os assentamentos

Os militares vêm sofrendo pressão cada vez maior para interromper apropriações ilegais de terras por colonos, incentivados pelo governo de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que liderou uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia.

Mais cedo, na quinta-feira, um dia depois de as tropas usarem gás lacrimogêneo em uma tentativa frustrada de retirar os colonos, os militares disseram ter enviado mais tropas para a região “para realizar missões defensivas e patrulhas na área, a fim de manter a segurança e proteger o local”.

Um vídeo feito no início da semana mostrou vários israelenses vestidos com roupas militares verdes participando de uma oração matinal com os colonos dentro da barraca. Os militares disseram que estavam tomando medidas disciplinares contra qualquer integrante das forças envolvido no episódio.

As duas famílias cercadas na região afirmam que seus suprimentos estão acabando e que os colonos vêm danificando suas propriedades, atirando pedras contra suas casas e gritando insultos contra elas.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou que as forças militares e a polícia israelenses “foram, a nosso pedido, retirar os terroristas israelenses que estão fazendo isso”, acrescentando: “As ações daqueles que estão fazendo isso contra a casa dessa família são criminosas.”

Ridi recebeu bem as declarações de Huckabee, mas disse que elas não eram suficientes. “Precisamos de proteção. Precisamos de suprimentos. Precisamos viver livremente em nossa casa.”

Os palestinos afirmam que as autoridades israelenses permitem que colonos se apropriem de terras e recursos em toda a Cisjordânia com impunidade, inclusive em áreas onde os proprietários possuem documentos de propriedade emitidos por Israel.

Casos de apropriação de terras por colonos são especialmente comuns em áreas nos arredores de aldeias, como Qusra, que fica em uma região sob controle total da segurança israelense.

A Cisjordânia, território que Israel capturou na guerra do Oriente Médio de 1967, abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses. Segundo o grupo israelense de monitoramento dos assentamentos Peace Now, existem cerca de 146 assentamentos na Cisjordânia, além de 390 pequenos postos avançados.

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