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Suzano reforça objetivos em alienação e desalavancagem

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Suzano reforça objetivos em alienação e desalavancagem

A alienação de ativos e a desalavancagem, com foco na manutenção de níveis considerados saudáveis, estão entre as principais prioridades da Suzano. Durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026, executivos da companhia afirmaram que a estratégia é priorizar a geração de valor e a captura de ganhos de eficiência antes de avançar em movimentos mais agressivos de investimentos.

Para o segundo semestre, a companhia mantém uma perspectiva positiva para os mercados de celulose e papel, apoiada pela expectativa de resiliência operacional e de demanda, estabilização dos estoques e maior competitividade dos custos.

O CEO da Suzano, Beto Abreu, destacou o fechamento da aquisição da Arbex em 1º de julho. Segundo ele, as estruturas de governança e gestão já foram implementadas e, agora, a companhia concentra esforços na integração dos negócios e na captura de ganhos de eficiência.

Abreu também reforçou que a empresa seguirá concentrada no controle dos desembolsos operacionais e da alavancagem. Para o segundo semestre, a expectativa é de aumento da demanda e melhora das vendas, além do cumprimento do guidance de custo caixa.

“Continuamos esperando uma demanda maior no segundo semestre e, claro, vendas melhores”, afirmou o executivo. Ele acrescentou que a Suzano já espera capturar ganhos de eficiência com a operação da Arbex ao longo dos próximos meses.

Perspectivas para celulose

Na celulose, o vice-presidente de Comercial e Logística da Suzano, Leonardo Grimaldi, afirmou que a dinâmica observada em julho foi semelhante à registrada no segundo trimestre, com demanda saudável na Europa e na América do Norte, mas maior pressão sobre os preços na Ásia.

Segundo o executivo, a entrada de pedidos da companhia voltou a níveis considerados saudáveis em julho. A inteligência de mercado da Suzano também aponta estoques de fibra curta equilibrados nos portos chineses e ao longo da cadeia de valor do país.

Para agosto, Grimaldi vê um ambiente mais construtivo na Ásia, com expectativa de fortalecimento sazonal da demanda. Ele destacou que os preços da fibra curta caíram para níveis abaixo do custo caixa de diversos produtores chineses, enquanto o maior diferencial de preços entre fibra longa e curta aumenta a competitividade da fibra curta.

A expectativa é que esses fatores contribuam para uma retomada dos volumes de pedidos na China e em outros mercados asiáticos no segundo semestre. O possível anúncio de aumentos nos preços do papel na Ásia também pode estimular a demanda por celulose nos próximos meses.

Embora anúncios de cortes de produção tenham ganhado força nos últimos meses, principalmente no segmento de fibra longa, o executivo avalia que as medidas ainda são insuficientes para reequilibrar os fundamentos de mercado.

A rentabilidade do setor também permanece pressionada pelo aumento dos custos de insumos, alguns deles relacionados às tensões geopolíticas. Grimaldi citou ainda riscos climáticos em regiões produtoras e as recentes revogações de licenças florestais na Indonésia como fatores que podem deixar a relação entre oferta e demanda mais apertada no curto prazo.

“Os estoques da companhia já estão alinhados às necessidades operacionais e por isso, seguimos bem posicionados frente as volatilidades causadas por fatores internacionais. Essa capacidade nos dá agilidade para reagir rapidamente a quaisquer condições de mercado e capturar oportunidades comerciais”, concluiu Grimaldi.

A Suzano destacou que o mercado global de celulose de fibra curta apresentou resiliência no segundo trimestre, apesar da maior volatilidade geopolítica e dos impactos sobre custos de produção e logística.

Os aumentos de preços anunciados anteriormente ganharam força nos principais mercados. Na China, entretanto, a entrada de novas capacidades integradas e o excesso de oferta de fibra longa continuaram pressionando o mercado.

Na Europa, o consumo de celulose de fibra curta cresceu 5,2% no trimestre, enquanto o de fibra longa caiu 4,8% em relação ao segundo trimestre de 2025. Os estoques de celulose nos portos europeus terminaram o período em 1,3 milhão de toneladas, ainda abaixo do nível considerado normal pela companhia.

Na China, os estoques nos portos ficaram em aproximadamente 2,7 milhões de toneladas, em linha com o trimestre anterior. Já a produção de papel no país cresceu 13,8% no segundo trimestre, segundo a SCI.

Os preços médios da celulose de fibra curta, medidos pelo PIX/FOEX, subiram 3,4% na China e 13,8% na Europa em relação ao primeiro trimestre.

Papel e embalagens

No negócio de papel e embalagens, o vice-presidente Fabio Almeida de Oliveira afirmou que os volumes de vendas no Brasil devem melhorar tanto no mercado doméstico quanto nas exportações, favorecidos pela sazonalidade do terceiro trimestre.

Nos Estados Unidos, a companhia iniciou o terceiro trimestre com uma carteira de pedidos considerada forte e com melhora na relação entre oferta e demanda.

O executivo afirmou, contudo, que a Suzano continua monitorando as pressões inflacionárias provocadas pelo conflito no Oriente Médio, especialmente sobre os preços de resinas e os custos logísticos.

Segundo Almeida, iniciativas que já foram implementadas ou estão em andamento devem permitir à companhia mitigar a maior parte desses impactos ao longo dos próximos meses.

Com a combinação entre expectativa de melhora da demanda, disciplina financeira e captura de eficiências, a Suzano sinaliza que pretende atravessar o segundo semestre priorizando a geração de valor e a redução da alavancagem, mantendo espaço para avaliar novos movimentos estratégicos à medida que as condições de mercado evoluírem.

No Brasil, as vendas de papel da Suzano totalizaram 247 mil toneladas no segundo trimestre, alta de 10% ante os três primeiros meses do ano. O avanço foi puxado principalmente pelos segmentos de papel cartão, de imprimir e escrever e o segmento tissue.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, as vendas no mercado brasileiro cresceram 5%, com aumento nos volumes de papéis revestidos, papelcartão e tissue, parcialmente compensado pela redução das vendas de papéis não revestidos.

As vendas nos mercados internacionais somaram 159 mil toneladas, equivalentes a 39% do volume total comercializado pela companhia no trimestre. O resultado representa alta de 4% ante o primeiro trimestre, impulsionada principalmente pelas vendas de papel para imprimir e escrever e do papel cartão.

Em relação ao segundo trimestre de 2025, entretanto, houve queda de 10% nas vendas internacionais. Segundo a Suzano, o recuo foi provocado principalmente pela redução dos volumes de papel imprimir e escrever, em meio aos efeitos das tarifas implementadas pelo governo dos Estados Unidos e à estratégia de alocação de volumes.

Também houve queda nas vendas de papel cartão da Suzano Packaging US, devido a problemas operacionais no retorno de uma parada de manutenção realizada em maio.

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