A Raízen registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 1,6 bilhão referente ao primeiro trimestre do ano-safra 2026/27. No mesmo recorte do ano anterior, o prejuízo foi de R$ 1,8 bilhão.
A receita operacional líquida da companhia totalizou R$ 51,4 bilhões no trimestre, um avanço de 4% frente aos R$ 49,4 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
O Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da companhia somou R$ 3,8 bilhões no período, aumento superior a 100% frente ao mesmo trimestre em 2025/26, quando o resultado foi de R$ 1,7 bilhões.
A dívida líquida da Raízen totaliza R$ 56,8 bilhões ao final do trimestre do atual ano safra, um avanço de 15,5% quando comparado ao mesmo trimestre em 2025/26, onde a dívida totalizava R$ 49,2 bilhões.
A Raízen afirma que iniciou a safra 2026/27 avançando na execução das medidas previstas em seu Plano de Transformação Operacional e Financeiro, com foco em eficiência e redução de custos
Segundo a administração, a estratégia busca fortalecer a operação em um cenário ainda marcado por volatilidade nos mercados, desafios climáticos e condições econômicas e geopolíticas adversas.
Plano de Recuperação Extrajudicial
Outro ponto destacado foi a homologação, em 30 de julho, do Plano de Recuperação Extrajudicial, após adesão dos credores financeiros e ausência de pedidos de impugnação. A companhia afirmou que a medida abre uma nova etapa para a implementação de ações destinadas a fortalecer sua estrutura de capital, reduzir a alavancagem e ampliar a flexibilidade financeira.
A administração ressaltou ainda que a homologação do plano não produziu impactos financeiros ou contábeis nas demonstrações financeiras referentes ao período encerrado em 30 de junho de 2026.
Desde o deferimento do pedido de recuperação extrajudicial, em março, os juros dos passivos abrangidos pelo plano passaram a ser reconhecidos contabilmente, mas sem desembolso de caixa durante o período de suspensão dos pagamentos.
A Raízen também destacou os avanços na simplificação do portfólio. Após o acordo para a venda das operações de distribuição de combustíveis na Argentina, anunciado em junho, a companhia celebrou a venda da usina Caarapó. As duas operações ainda dependem do cumprimento de condições precedentes. Para a administração, as transações permitem concentrar capital e esforços em ativos com maior potencial de geração de valor e reduzir a complexidade do portfólio.
Resultados segmentados
No segmento de Distribuição de Combustíveis e Lubrificantes, a companhia destacou o desempenho operacional sustentado pela marca Shell, pela rede de revendedores e distribuidores e pela estrutura logística. Mesmo diante de um ambiente mais desafiador para o suprimento, a Raízen afirmou ter mantido níveis elevados de atendimento e assegurado o abastecimento da rede com eficiência e competitividade.
Em EAB (Etanol, Açúcar e Bioenergia), a companhia apontou impactos das condições climáticas e de um cenário menos favorável para os preços das commodities. Apesar disso, a administração afirmou que segue avançando em medidas de eficiência agroindustrial, redução estrutural de custos e disciplina na gestão de recursos.
Para a administração, a combinação de maior eficiência operacional, um portfólio mais concentrado nos negócios principais e uma estrutura financeira mais equilibrada deve ampliar a previsibilidade das operações e criar bases para a geração de valor aos acionistas e demais públicos da companhia.

