A mídia estatal do Irã ridicularizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após surgirem novos detalhes sobre a troca secreta de aeronave durante uma visita dele à Turquia.
A imprensa iraniana ironizou o episódio afirmando que isso demonstrava o quanto Trump está nervoso com o poder da República Islâmica.
“Mais uma vez, Trump, com seu novo escândalo, tornou-se o principal assunto na mídia dos EUA nos últimos dias. Um escândalo decorrente do medo do poder militar do Irã — um poder que levou Trump, no mês passado, ao retornar da Turquia, a trocar secretamente de avião”, disse um apresentador da televisão estatal, acrescentando que o episódio se tornou motivo de “humilhação” para Trump.
Uma ameaça de que o Air Force One poderia ser alvo de um míssil portátil disparado do ombro levou o Serviço Secreto a transferir Trump secretamente para um jato governamental menor, segundo uma pessoa informada sobre o assunto.
A ameaça surgiu no último dia da visita de Trump a Ancara para a Cúpula da Otan, disse a fonte, em um momento de alta tensão devido à guerra em curso dos EUA contra o Irã.
O Serviço Secreto considerou a ameaça crível e iminente, desencadeando uma operação extraordinária para ocultar os deslocamentos do presidente americano.
O jornal americano New York Times noticiou que autoridades dos EUA ficaram alarmadas ao descobrir que os iranianos sabiam onde Trump estava hospedado em Ancara, inclusive o andar exato de seu hotel.
Teerã não comentou oficialmente as alegações nem a troca de avião. A Casa Branca não pôde ser contatada imediatamente fora do horário de expediente.
Painéis publicitários e murais em Teerã têm como alvo o presidente dos EUA e Israel, exibindo imagens que vão desde Trump deitado em um caixão até ele se afogando no mar.
Enquanto isso, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, prometeu no mês passado vingança pela morte de seu pai e predecessor, que foi morto no primeiro dia da guerra.
Escondido em um caminhão de serviço de bufê
Trump e um pequeno grupo de assessores usaram um caminhão de serviço de bufê para fazer a transição da grande aeronave presidencial azul e branca para um jato C-32A menor e de aparência comum, para o voo de saída da Turquia em 8 de julho; enquanto isso, o Air Force One partiu separadamente transportando autoridades graduadas do governo, a equipe da Casa Branca e o corpo de imprensa que acompanhava a comitiva, segundo a primeira fonte.
A embaixada do Irã na África do Sul afirmou, em uma publicação no X, que Trump “estará escondido em uma lata de lixo em breve”. A mensagem vinha acompanhada de um meme mostrando Trump dentro de uma caixa de transporte de alimentos, repleta de comida.
Essa conta no X frequentemente viraliza devido aos memes que compartilha — conteúdo que já foi noticiado pela mídia estatal iraniana. O perfil consta na página oficial da embaixada na internet.
O jornal americano The Washington Post foi o primeiro a divulgar detalhes sobre a operação de troca de aeronave.
Teerã negou alegações de tentativas de assassinato de Trump
Em 2024, o Departamento de Justiça dos EUA indiciou um iraniano por seu suposto envolvimento em um plano — ordenado pela Guarda Revolucionária do Irã — para assassinar Trump, que na época era presidente eleito dos Estados Unidos.
Teerã negou essas acusações em setembro de 2024.
“Os linha-dura iranianos — que vêm falando em vingança pelo assassinato do líder supremo do Irã, ocorrido em 28 de fevereiro, bem como pela morte de outras autoridades políticas e militares de alto escalão do país — estão celebrando o fato de que os Estados Unidos demonstraram tanto medo e preocupação com a segurança do presidente Trump”, disse Ali Vaez, vice-diretor do programa para o Oriente Médio e Norte da África do International Crisis Group.
O Irã e os Estados Unidos continuam em desacordo quanto aos esforços para chegar a um acordo que encerre definitivamente a guerra no Golfo, segundo uma fonte iraniana de alto escalão, que afirmou não ter havido progresso nas negociações para retomar o acordo provisório firmado em junho.
Durante um podcast da agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, o comentarista Alireza Majidi relembrou uma visita feita por Trump em 2018 à base de Ain al-Assad, no Iraque — país onde o Irã conta com o apoio de grupos armados.
O próprio Trump descreveu as medidas de segurança extraordinárias às quais teve de se submeter durante aquela viagem.
“Se vocês tivessem visto o que tivemos de enfrentar: o avião com as luzes apagadas, todas as janelas fechadas e absolutamente nenhuma luz acesa em lugar algum. Escuridão total. Nunca vi nada parecido”, disse Trump a repórteres na base no Iraque, segundo a CNN.
Trump diz que deixou instruções para atacar Irã caso seja assassinado

