O CEO da Icatu Seguros, Luciano Soares está otimista com o avanço do seguro de vida universal no Brasil e diz que a empresa está bem posicionada para oferecer o produto, mas ressalta que o mercado ainda aguarda definições regulatórias.
Segundo ele, faltam esclarecimentos – especialmente em relação à tributação – para dar previsibilidade ao lançamento e à expansão dessa modalidade, vista como uma das principais apostas de crescimento para o setor.
Soares é o entrevistado de hoje do Capital Insights, programa produzido em parceria entre a Broadcast e o CNN Money, que vai ao ar às 19 horas.
O seguro vida universal é uma modelo de proteção securitária que combina cobertura por morte ou invalidez com o acúmulo de uma reserva financeira. Além de garantir uma indenização em caso de óbito, como o seguro vida tradicional, esse produto também forma um colchão financeiro, que rende juros. No futuro, o montante acumulado pode ser usado conforme as regras da apólice.
No ano passado, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) publicou um normativo que estrutura regras para o produto, que não tem caráter de previdência. No entanto, o mercado ainda aguarda definições sobre a tributação para começar a comercializá-lo.
Na avaliação de Soares, a introdução de novos produtos e a modernização do marco regulatório se somam a uma oportunidade estrutural: ampliar a penetração do seguro no país. Ele aponta que o Brasil ainda tem baixa participação da indústria de seguros no PIB (Produto Interno Bruto) e classifica como “principal desafio” aumentar esse nível, o que abriria espaço para uma expansão mais consistente do mercado no médio e longo prazos.
Mesmo em um cenário de juros elevados, o executivo diz que o mercado de seguros segue crescendo, indicando resiliência diante do ambiente macroeconômico. Para ele, o setor “continua tendo espaço de crescimento” e há uma “grande oportunidade” de avanço, desde que as empresas consigam ampliar o acesso e a compreensão dos produtos para a população.
O CEO observa ainda que a concorrência tem aumentado no setor, em um contexto no qual o custo de captação também se tornou um fator mais relevante para as companhias.
Ao tratar de produtos, Soares lembra que a previdência complementar funciona como “uma poupança de longo prazo” e comentou o impacto do debate recente sobre mudanças no IOF no VGBL, que, segundo ele, gerou ruído no segmento. Ainda assim, disse continuar vendo demanda para planos desse tipo.
Sobre o ambiente institucional, o executivo avaliou como positiva a nova lei de seguros, por buscar dar mais segurança ao mercado, embora tenha ressaltado que o setor aguarda ajustes do regulador para a implementação do novo marco.
Soares afirma ainda que a Icatu busca “democratizar o acesso ao seguro no Brasil”, incluindo iniciativas voltadas a educação financeira. Um dos pontos centrais, segundo ele, é melhorar a comunicação com o cliente, com linguagem mais simples e acessível.
O executivo avalia que o setor precisa reduzir barreiras de entendimento e tornar o vocabulário menos técnico, como forma de destravar a demanda e ampliar a base de consumidores.
Na distribuição, ele destaca o papel do corretor como “fonte de comunicação humana com o cliente”, mesmo com o avanço do uso de tecnologia nos canais de venda. Soares também defende que o assessor de investimentos tem capacidade de distribuir seguros, citando a parceria da Icatu com a XP como parte da estratégia de alcance a diferentes perfis de público. Ele diz que a companhia mantém um ritmo de crescimento de cerca de 20% ao ano, apoiado na diversificação do portfólio.

