Candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) questionou a explicação dada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) sobre o caso envolvendo uma suposta abordagem incomum de policiais militares a seu motorista.
O episódio teria ocorrido após Haddad ter sido deixado em casa, na zona sul da capital paulista, na noite de terça-feira (11).
“Me mandaram um boletim de ocorrência de um outro episódio das 23h10 da noite, uma hora e meia depois do que aconteceu, dizendo que aquela abordagem se deveu ao fato de que ocorreu um roubo às 23h10“, disse o petista a jornalistas durante evento em Sertãozinho (SP) nesta quinta-feira (13).
“Eu falei: o que aconteceu comigo foi às 21h35. Então, a menos que haja algum programa de inteligência sobrenatural que possa antecipar um crime em uma hora e meia, não fazia sentido nenhum aquela abordagem”, acrescentou.
Haddad disse ter conversado com o secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, para expressar seu desejo de que “alguém peça desculpas“.
“Eu só quero que seja esclarecido o que aconteceu para que alguém peça desculpas, entendeu? O motorista que trabalha comigo é um homem, um pequeno empreendedor, uma pessoa que tem família e se sentiu muito constrangido porque foi perseguido por cinco quilômetros depois de ter me deixado em casa”, declarou.
Ainda segundo Haddad, sua equipe não está tentando “dramatizar” a situação: “Só estamos querendo que um cidadão, trabalhador, seja respeitado pelo poder público, mais nada. Ninguém está pedindo nada a não ser que as pessoas sejam respeitadas“.
Entenda o caso
Na última quarta-feira, o candidato do PT ao governo de São Paulo relatou que seu motorista teria sido seguido e abordado de forma ostensiva por uma viatura da Polícia Militar durante a noite da última terça-feira.
Segundo as declarações, os policiais teriam projetado luzes sobre o veículo e, na sequência, acompanhado o carro por cerca de 40 minutos.
O motorista, segundo Haddad e seu advogado, Hélio Silveira, ficou assustado com a situação e decidiu parar em um hotel, onde poderia contar com câmeras de segurança e maior movimentação de pessoas. Ainda de acordo com o relato, ele teria questionado os policiais sobre o motivo da ação e ouvido a frase “vaza, vaza”.
Em conversa com a CNN Brasil, o secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, descartou a hipótese de qualquer viés político na abordagem. De acordo com o secretário, o caso foi resultado de um mal-entendido.
De acordo com Nico, os policiais não sabiam que o veículo acompanhado havia acabado de transportar Haddad. Ao verificarem que no carro havia apenas o motorista, a abordagem foi descartada e a viatura seguiu a ocorrência policial.
“O caso está solucionado. Foi um mal-entendido“, afirmou o secretário à CNN Brasil.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder

