Diante da previsão de um possível El Niño extremo em 2026 e do risco de redução dos níveis dos rios da Região Norte, a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) irá elaborar – ou em alguns casos atualizar – planos de contingência para enfrentar eventuais restrições à navegação.
A medida busca antecipar respostas e reduzir os impactos sobre o transporte de passageiros e cargas, as operações portuárias e o abastecimento da região.
Segundo a agência, ainda não está configurado um cenário de seca extrema como o observado em 2023 e 2024, quando rios da Bacia Amazônica atingiram níveis historicamente baixos e houve impactos sobre a logística regional.
Mesmo assim, a experiência recente levou o órgão a reforçar o planejamento diante da possibilidade de uma nova estiagem. Segundo o diretor-geral da agência, Frederico Dias, desde maio, a Antaq acompanha, em conjunto com outros órgãos, as condições de dragagem de rios estratégicos, como Madeira, Amazonas e Tapajós.
Os planos de contingência deverão considerar as características de cada operação e prever medidas capazes de preservar a continuidade dos serviços caso haja redução da profundidade dos rios ou restrições às operações portuárias.
Entre as alternativas que poderão ser avaliadas pela agência estão rotas alternativas, alteração nos horários dos serviços de passageiros nas vias afetadas, adequação ou instalação de estruturas provisórias e utilização de embarcações menores.
A agência também informou que reforçará a fiscalização e o acompanhamento das travessias que possam ser afetadas, além de manter o monitoramento das informações hidrológicas produzidas pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).
A estratégia, segundo o diretor-geral, é atuar de forma antecipada para evitar que uma eventual restrição de navegabilidade provoque impactos significativos sobre a logística amazônica.
Um dos pontos de atenção é a travessia entre Manaus e Careiro da Várzea, considerada um importante gargalo de mobilidade e logística da Região Norte.
No transporte de contêineres, a agência também determinou que empresas que operam com origem ou destino na Amazônia comuniquem previamente eventuais cobranças relacionadas à baixa dos níveis dos rios, como a chamada Taxa de Seca.

