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Ex-secretária presa por eutanásias “em massa” é solta pela Justiça do RS

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Ex-secretária presa por eutanásias “em massa” é solta pela Justiça do RS

A Justiça do Rio Grande do Sul revogou a prisão preventiva de Paula Lopes, ex-Secretária Municipal de Bem-Estar Animal de Canoas, presa por um esquema de eutanásia em massa de cães e gatos para desviar recursos destinados a tratamentos que nunca foram realizados.

Segundo a decisão do Juízo da Vara Regional Ambiental da Comarca de Porto Alegre, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares, incluindo a proibição de manter animais, mesmo de forma privada.

A denúncia do caso foi recebida pela Justiça no dia 1º de julho, quando Paula e outras oito pessoas, incluindo uma policial civil e uma associação fundada e mantida pela ex-titular da secretaria, passaram à condição de réus.

Entenda a decisão

A revogação, segundo o TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), se justifica pela atual impossibilidade de que a acusada utilize sua influência política ou administrativa para cometer novas infrações ou ocultar provas, já que não ocupa mais cargo público.

A decisão considerou que a estrutura física e operacional utilizada para a prática das condutas denunciadas foi desfeita, não restando nenhum animal doméstico alojado nas áreas internas, canis ou galpões do imóvel.

Outra justificativa é o fato de a ré ser primária, possuir residência fixa na comarca e demonstrar comportamento compatível com o regular andamento processual.

Confira as medidas cautelares impostas à mulher:

  • proibição de exercer qualquer atividade de recolhimento, transporte, guarda, abrigo ou tratamento de animais domésticos ou domesticados, seja em âmbito público, privado ou por meio de associações e organizações não governamentais;
  • proibição de manter contato, por qualquer meio de comunicação, com os demais réus, bem como com as testemunhas arroladas no processo;
  • proibição de frequentar as dependências da Secretaria Municipal do Bem-Estar Animal de Canoas, as sedes do Instituto Paula Lopes e qualquer abrigo de animais vinculado aos investigados;
  • proibição de ausentar-se da comarca de sua residência por período superior a oito dias sem prévia autorização judicial;
  • comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Paula Lopes afirma que a decisão é justa e que a recebem com alívio. Confira na íntegra:

“A Defesa constituída da ex-secretária Paula Lopes recebe com alívio a decisão que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares diversas da prisão. A decisão é justa e está em consonância com os argumentos defensivos apresentados e analisados na r. decisão judicial. Seguiremos diligentes no trâmite do processo, no qual Paula demonstrará sua inocência.”

Relembre o caso

A protetora de animais e ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), Paula Lopes, foi presa no dia 15 de junho. Além dela, a Polícia Civil prendeu dois veterinários — entre eles, uma mulher que também trabalhava no órgão municipal — por um esquema de eutanásia em massa de cães e gatos para desviar valores doados para tratamentos que nunca aconteceram.

As investigações tiveram início em 2025. Na primeira fase da operação, que foi deflagrada em setembro, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria, na casa e no sítio da ex-secretária e na residência da veterinária que atuava junto à secretaria.

De acordo com a investigação, após análise do material apreendido, foi constatado que o número de eutanásias na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas estava acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos e também em comparação aos anos anteriores.

Ao todo, foram pelo menos 478 procedimentos em oito meses. Depois, os animais eram levados a uma universidade para serem incinerados.

A denúncia sobre o caso veio de usuários do serviço e dos próprios agentes da Secretaria. Segundo a Polícia Civil, a mulher valia-se da condição de “protetora dos animais” para praticar os crimes.

A Polícia Civil disse que ficou comprovado que os animais resgatados eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda havia alternativas de tratamento.

Nas redes sociais, a suposta protetora publicava fotos com animais com deficiência que dizia adotar e salvar por meio de uma ONG. Para a polícia, era dessa maneira que ela legitimava as captações de doação em dinheiro.

Além das prisões de Paula e dos veterinários, foram apreendidos celulares, computadores e outras provas para a sequência das investigações. Também foi resgatado o cachorro “Dudu”, animal sem as patas dianteiras, que era utilizado para pedidos de pix nas redes sociais.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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