O CNN Talks marcou mais uma edição na Lat.Bus 2026, maior feira de transporte coletivo por ônibus das Américas. O evento reuniu representantes do setor para discutir os principais desafios da mobilidade urbana no Brasil, com destaque para a chamada “economia da mobilidade” e os impactos da transição ecológica e energética sobre o transporte público.
As discussões também abordaram a reforma tributária brasileira, que prevê a substituição de tributos como ICMS, ISS e PIS/Cofins por um sistema considerado mais simples.
Nesse contexto, um dos principais questionamentos do evento foi como viabilizar e financiar a transição para uma frota mais sustentável, especialmente diante do custo mais elevado dos ônibus elétricos em relação aos modelos movidos a diesel.
Participação do poder público
Para Pablo Mota, da Marcopolo, maior encarroçadora de ônibus da América Latina, o apoio do poder público é fundamental para avançar na descarbonização do transporte coletivo.
Segundo ele, experiências em cidades como Goiânia, Brasília e São Paulo mostram que a participação dos governos foi essencial para viabilizar investimentos e acelerar a transição energética.
Déficit de investimentos
O tamanho do desafio também foi evidenciado por dados apresentados por Luciana Costa, do BNDES, principal banco de fomento à renovação da frota de ônibus no país. Segundo ela, o setor de mobilidade urbana recebeu, em média, R$ 6 bilhões em investimentos por ano na última década, enquanto a necessidade anual chega a R$ 50 bilhões.
A diferença, de acordo com Costa, coloca a mobilidade urbana entre os setores de infraestrutura com maior déficit de financiamento no Brasil.

