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Busca por sobreviventes na Colômbia entra em fase crítica após terremoto

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Busca por sobreviventes na Colômbia entra em fase crítica após terremoto

O presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, prometeu nesta quarta-feira (12) criar um fundo emergencial para ajudar a reconstruir hospitais, escolas, casas e infraestrutura destruídos pelo terremoto, enquanto as buscas por sobreviventes entram em fase crítica. Cerca de 500 pessoas continuam desaparecidas.

“Esta é, sem dúvida, uma tragédia de proporções imensas”, disse de La Espriella, que tomou posse três dias antes de o terremoto de magnitude 7,4 derrubar edifícios em grandes cidades do oeste da Colômbia, em pronunciamento nacional. “Nossos esforços estão concentrados naqueles que continuam desaparecidos.”

De acordo com o presidente, o número de mortos após o forte terremoto chegou a 265. Mais de 3 mil pessoas ficaram feridas.

De La Espriella decretou emergência econômica no país para lidar com os danos causados pelo terremoto, mas não esclareceu quais medidas isso envolveria.

Horas antes, o prefeito de Cali, Alejandro Eder, alertou que as equipes de resgate estavam correndo contra o tempo, à medida que se aproxima do fim a janela crítica de 72 horas, período em que as chances de encontrar sobreviventes de um terremoto são muito maiores.

Famílias esperam por notícias

Na cidade de Cali, uma das mais atingidas pelo terremoto, os esforços de resgate estavam concentrados em sete edifícios que ainda poderiam abrigar sobreviventes.

No complexo Torres del Limonar, na região sul da cidade, moradores formaram longas correntes humanas, junto com soldados, funcionários da prefeitura e outras pessoas, para retirar os escombros do topo dos destroços.

Camilo Cano, integrante do Corpo de Bombeiros de Bogotá, disse à Reuters que os esforços de resgate ficaram mais organizados depois que a polícia começou a restringir o acesso de voluntários, o que ajudou a reduzir o barulho e as vibrações e permitiu que sensores detectassem melhor movimentos sob os escombros.

Ele afirmou que a possibilidade de fortes tremores secundários representava riscos para grandes aglomerações, enquanto familiares das pessoas que ainda estavam presas sob os prédios aguardavam ansiosamente por notícias nas proximidades.

Em Palmira, cerca de 30 km a nordeste de Cali, parentes dos mortos aguardavam do lado de fora de um necrotério, sentados em cadeiras de plástico à sombra de árvores. Um funcionário anunciava pelo alto-falante os nomes dos corpos identificados.

Santiago Lloreda, de 31 anos, disse à Reuters que estava trabalhando quando o terremoto atingiu seu apartamento, matando sua mãe e sua filha de 13 meses, Salma. Por ser muito pequena para ter registro de impressões digitais, a menina precisa ser identificada por meio de amostras de DNA enviadas a Bogotá.

“Minha filha era um sonho que se tornou realidade”, disse ele. “Minha mãe era o pilar da nossa família, cuidava de todos e sempre fazia você rir… ela abriu mão de tudo para cuidar do bebê. Isso lhe custou a vida, mas a deixou muito orgulhosa e feliz.”

Ricardo, que não revelou o sobrenome, disse que viajou de Miami para recuperar o corpo da irmã. Ele elogiou os esforços dos médicos e a solidariedade dos vizinhos.

“Há heróis lá dentro ajudando a devolver os corpos de nossa família para nós o mais rápido possível”, disse ele, acrescentando que sua sobrinha aguardava uma cirurgia por fraturas no crânio, na mandíbula e na perna, além de um pulmão colapsado.

“Ela está viva. Sabemos que vai melhorar”, afirmou.

Pessoas removem escombros no local de um prédio danificado após terremoto em Pereira, na Colômbia 11 de agosto de 2026 • REUTERS/Juan David Duque

Terremoto é primeiro desafio para o governo de la Espriella

German Bahamon, presidente da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, disse que os portos de Buenaventura suspenderam as operações enquanto inspetores avaliam o impacto de deslizamentos de terra em estradas importantes, mas que “as exportações continuam normalmente, principalmente pelos portos do Caribe”.

A Colômbia é o terceiro maior produtor de café do mundo, e centenas de milhares de famílias dependem do setor.

De La Espriella — que venceu por uma margem apertada o candidato da esquerda com a promessa de cortar gastos e endurecer o combate ao crime — viajou para as regiões afetadas no início desta semana e prometeu ajuda às pessoas que perderam suas casas e negócios.

Vários prefeitos locais anunciaram toques de recolher noturnos, citando a possibilidade de saques.

“O terremoto será o primeiro teste para o novo presidente colombiano”, disse Tiziano Breda, analista sênior para América Latina e Caribe do grupo de monitoramento de conflitos ACLED.

“De La Espriella concorreu com uma plataforma para cortar as finanças públicas, incluindo o fim do financiamento da unidade de gestão de riscos do Estado”, acrescentou. “Essa unidade está atualmente na linha de frente da resposta à emergência.”

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, rejeitou relatos de que o governo teria recusado ofertas internacionais de ajuda, dizendo que sua pasta estava coordenando a entrega de carregamentos que começaram a chegar do Peru, do México e de El Salvador.

O chefe da Topos Azteca, equipe mexicana de busca e resgate, disse em uma mensagem em vídeo que havia chegado diretamente da Venezuela, que sofreu dois terremotos devastadores no fim de junho.

Indira Meneses, de 49 anos, enfermeira que vive com os dois filhos e a mãe idosa, disse que a parte da frente de sua casa em Pereira desabou, deixando a família presa no interior. Os vizinhos ajudaram a tirá-los de lá, mas eles continuam revivendo o momento.

“Tenho cinco vizinhos que morreram sob os escombros”, disse Meneses. “Estamos esperando que as autoridades locais nos ajudem a reconstruir e substituir o que perdemos, mas, até agora, ninguém veio.”

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