A condução da negociação entre o Corinthians e Memphis Depay é apontada como um grave erro de gestão do clube, que agora enfrenta as consequências da má administração do caso. A situação gerou revolta entre torcedores e expôs contradições entre o discurso oficial da diretoria e suas ações práticas.
Segundo a análise de Raul Moura, se a intenção era dar uma resposta negativa ao jogador, o clube deveria ter antecipado essa decisão, permitindo que Memphis retornasse das férias pós-Copa do Mundo já direcionando seu futuro para outro destino. “Foi muito ruim a condução do Corinthians nesse caso”, afirmou.
Justificativa financeira questionada
A nota oficial do Corinthians alegou que a não renovação com Memphis se deu por razões de saúde financeira do clube. Embora essa justificativa seja considerada plausível diante do contexto de transfer ban e dificuldades para honrar compromissos, ela não se sustenta diante das atitudes adotadas pela diretoria. “Se a prioridade é a saúde financeira do clube, a renovação com o Depay não deveria ter sido sequer cogitada”, pontuou Raul.
O argumento se torna ainda mais frágil quando se considera a dívida já existente com o jogador. Corrigida com multa, atraso e juros, essa dívida, somada a outros 22 milhões de reais em transfer ban, tornaria qualquer renovação inviável.
“Considerando o que o Corinthians deve ao Memphis, se ele assinasse um contrato de dois anos para jogar de graça a partir de agora, ele ainda seria caro para o Corinthians”, explicou a comentarista Nathalia Fiuza.
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1 de 5Memphis Depay em jogo do Corinthians contra o Santos • REUTERS/Thiago Bernardes
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2 de 5Memphis Depay em treino do Corinthians • Rodrigo Coca/Agência Corinthians
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3 de 5Memphis Depay, camisa 10 do Corinthians • Rodrigo Coca/Agência Corinthians
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4 de 5Memphis Depay no pré-jogo de Corinthians e Palmeiras • Getty Images
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5 de 5Memphis Depay, do Corinthians, comemorando a classificação sobre o Cruzeiro na Copa do Brasil • Riquelve Nata/Sports Press Photo/Getty Images
Politicagem nos bastidores
Para além da justificativa financeira, os analistas apontam que a real razão da não renovação seria de natureza política. “A gente sabe que a não renovação acontece por questões políticas, e a politicagem vai acabar com o Corinthians se permanecer dessa forma”, afirmou um Nathalia Fiuza, classificando a nota oficial do clube como “enganosa”.
A percepção de que a saúde financeira nunca foi de fato a prioridade da diretoria contribui para uma visão ainda mais negativa de quem conduz o clube.
A situação coloca o Corinthians em uma posição delicada também em relação a uma possível ação judicial. Memphis, que demonstrou irritação após a não renovação, não aceitaria facilmente reabrir negociações, e, caso o fizesse, as condições seriam bem mais desfavoráveis ao clube.
“Todos os caminhos que você olha são ruins para o Corinthians e vão levar muito provavelmente a uma questão judicial que vai prejudicar mais ainda o clube”, avaliou a analista.
Memphis sai com reputação intacta
Enquanto a imagem da diretoria é arranhada, Memphis Depay saiu do episódio com sua reputação fortalecida junto à torcida corintiana. O jogador demonstrou predisposição para negociar ao vir ao Brasil e assistir a uma partida do Corinthians na Neo Química Arena. “Da maneira como foi tocada, o Memphis sai, inclusive, com a reputação intacta”, observou Raul Moura, em contraste com a figura de Osmar Stabile, que concentrou grande parte das críticas dos torcedores.
O cenário de turbulência nos bastidores também afeta diretamente o desempenho esportivo do clube. Com o elenco desfalcado e o futuro do jogador mais talentoso indefinido, o técnico enfrenta dificuldades para estruturar o time.
O Corinthians tem pela frente partida fora de casa contra o Rosário Central pela Copa Libertadores da América, considerada o jogo mais importante da temporada.
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