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Alvo da PF: relembre investigações envolvendo o advogado Nelson Wilians

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Alvo da PF: relembre investigações envolvendo o advogado Nelson Wilians

Alvo da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13), o advogado Nelson Wilians voltou a ter o nome envolvido em uma investigação policial.

A nova apuração mira um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no Brasil e no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos relacionados à exploração de jogos de azar e apostas esportivas. A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, além de medidas de quebra de sigilos e sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão. A residência de Wilians está entre os endereços alvo de busca.

Esta é a terceira investigação de grande repercussão em que o advogado aparece como alvo nos últimos anos. Antes da Operação Arena, o nome dele esteve relacionado às apurações sobre descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, mais recentemente, à Operação Distrato, que investiga um suposto esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS.

Wilians não foi condenado nos casos e, nas diferentes investigações, nega envolvimento nas irregularidades atribuídas a ele ou afirma ter atuado dentro do exercício regular da advocacia.

INSS: investigação sobre descontos indevidos

A primeira investigação de grande repercussão envolvendo o advogado ocorreu no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

Em setembro de 2025, Wilians foi alvo de mandados de busca e apreensão na casa e no escritório durante uma fase da investigação. Na ocasião, a Polícia Federal apurava a atuação de empresários e operadores suspeitos de participar do esquema de descontos indevidos.

A inclusão do advogado na apuração ocorreu, entre outros pontos, a partir de movimentações financeiras identificadas pelos investigadores. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações bilionárias relacionadas ao escritório entre 2019 e 2024.

A investigação também identificou transações entre Wilians e Maurício Camisotti, empresário apontado como ligado a entidades que receberam recursos provenientes dos descontos investigados. Segundo informações apresentadas à CPMI do INSS, Wilians mantinha relação profissional com Camisotti desde 2015.

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão preventiva do advogado em setembro de 2025. O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas nos endereços de Wilians.

Depoimento à CPMI do INSS

O caso também levou Wilians a depor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em setembro de 2025.

Durante o depoimento, o advogado negou participação nas fraudes investigadas e afirmou não ter envolvimento com os crimes apurados. Munido de um habeas corpus concedido pelo STF, ele permaneceu em silêncio diante de parte dos questionamentos feitos pelos parlamentares.

Em 25 de setembro de 2025, a CPMI aprovou um requerimento para representar pelo pedido de prisão preventiva de Wilians, além de solicitações de quebra de sigilos bancário e fiscal e de envio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O pedido de prisão, porém, não resultou na detenção do advogado. 

Em manifestações públicas na época, a defesa do advogado afirmou que ele colaborava com as autoridades e que a investigação demonstraria sua inocência.

A CPMI do INSS foi posteriormente encerrada, mas isso não equivale ao encerramento das investigações criminais sobre as fraudes nos descontos associativos. A apuração policial continuou em diferentes frentes, com novos indiciamentos e diligências ao longo de 2026. No caso específico de Nelson Wilians, não há, até o momento, informação de condenação relacionada às suspeitas investigadas no caso.

ICMS: Operação Distrato

Em julho de 2026, Wilians voltou a ser alvo de uma investigação, desta vez relacionada a possíveis fraudes tributárias envolvendo créditos de ICMS em São Paulo.

A Operação Distrato, deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP), com participação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), investiga a comercialização de créditos tributários supostamente fraudulentos.

Segundo as autoridades, empresas teriam recebido créditos de ICMS sem respaldo legal para reduzir o valor do imposto devido ao Estado. A investigação identificou 752 empresas relacionadas às operações e trabalha com cifras superiores a R$ 3,8 bilhões.

O grupo econômico ligado a Wilians foi um dos principais alvos da operação. Empresas e endereços relacionados ao advogado foram submetidos a mandados de busca e apreensão. Ao todo, foram expedidas 38 ordens judiciais em cidades de São Paulo e do Paraná.

Segundo a investigação, escritórios de advocacia e consultorias ofereceriam às empresas créditos tributários sem lastro ou autorização do Fisco, apresentados como parte de estratégias de planejamento tributário. Os investigadores apontam que os intermediários poderiam cobrar honorários de êxito de até 70% do valor dos créditos utilizados. A apuração também identificou documentos falsos, contratos fictícios e empresas sem capacidade econômica que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para dar aparência de legitimidade às operações.

O escritório de Wilians afirmou, à época, que recebeu o cumprimento das medidas com “serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo” e que estava à disposição das autoridades para esclarecer os fatos.

Apostas esportivas: Operação Arena

Pouco mais de um mês depois, em agosto de 2026, Wilians aparece novamente como alvo de uma investigação. A Operação Arena, da Polícia Federal, mira um grupo empresarial suspeito de utilizar empresas no Brasil e no exterior para movimentar recursos provenientes da exploração de apostas esportivas e jogos de azar.

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    PF cumpre mandados da Operação Arena • Créditos: Polícia Federal

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    Operação Arena • Créditos: Polícia Federal

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    Imagem da Operação Arena • Créditos: Polícia Federal

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    O advogado Nelson Wilians • Instagram/Reprodução

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    Gráfico detalha fluxo financeiro de esquema de lavagem de dinheiro e bets • Receita Federal

A investigação aponta a possível utilização de instituições de pagamento, empresas estrangeiras, operações de câmbio e ativos digitais. Segundo a Receita Federal, os recursos poderiam passar por diferentes estruturas antes de chegar aos chamados beneficiários finais.

Um dos fluxos analisados envolve a conversão de valores em stablecoins, como o USDT, por meio de uma exchange nacional. Outra rota apontada pelos investigadores envolve o envio de recursos para contas no exterior, inclusive em jurisdições classificadas como paraísos fiscais.

A apuração também investiga se empresas constituídas no exterior teriam sido utilizadas para sustentar a aparência de que a atividade era administrada fora do Brasil, embora a gestão operacional, administrativa e decisória ocorresse, em tese, no território nacional.

A Justiça autorizou 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, além da quebra de sigilos bancário e telemático e do sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.

Relação com a PixBet

A investigação envolve empresas do setor de apostas, entre elas a PixBet. Conforme apurado pela CNN Brasil, o escritório de Wilians presta serviços jurídicos à empresa.

Em nota, Santiago Schunck, advogado do NWADV, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia.

“É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”, afirmou.

O que há em comum nas investigações

Embora tratem de fatos e grupos diferentes, as três investigações têm em comum a análise de fluxos financeiros e estruturas empresariais e, em diferentes graus, a atuação de Wilians ou de empresas ligadas a ele.

No caso do INSS, os investigadores analisaram movimentações financeiras entre o escritório e pessoas ligadas ao esquema de descontos indevidos. Na Operação Distrato, a apuração se concentra na suposta utilização de estruturas empresariais e jurídicas para comercializar créditos de ICMS sem respaldo legal. Já na Operação Arena, a PF investiga a movimentação internacional de recursos provenientes de apostas e a possível ocultação de seus beneficiários finais.

A natureza das suspeitas, porém, não é a mesma, e a existência de relações profissionais entre um advogado e seus clientes não significa, por si só, participação nos crimes investigados.

Até o momento, Wilians é investigado nos casos e não foi condenado por qualquer das acusações relacionadas às operações. As apurações seguem em andamento, e as autoridades ainda precisam analisar os elementos recolhidos nas diferentes fases das investigações para determinar eventual responsabilidade individual.

Grupo ligado a Nelson Wilians é alvo por suposta fraude bilionária em ICMS

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