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A inovação em terras raras marca o ritmo da transição energética

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
A inovação em terras raras marca o ritmo da transição energética

O lado mais visível da transição energética está nos carros elétricos, nas turbinas eólicas, nos painéis solares e nas baterias de fontes renováveis. Atrás dessas tecnologias, porém, o motor invisível desse avanço são as terras raras, elementos fundamentais na fabricação de imãs permanentes de alto desempenho.

Antes de chegar a esses produtos finais, existe uma etapa pouco conhecida pelo público: laboratórios e plantas-piloto onde os materiais são pesquisados, testados e preparados para aplicações cada vez mais exigentes.

Uma das inovações mais recentes da indústria mineral é o SPREC (super pure rare earth carbonate, ou carbonato de terras raras superpuro), um produto de alto valor agregado com um teor total de terras raras próximo de 99% — uma concentração muito superior à dos carbonatos mistos convencionais.

Esse nível de pureza o deixa pronto para ingressar diretamente nas etapas finais da fabricação de magnetos, trazendo maior previsibilidade aos processos industriais posteriores. Em um mercado onde o processamento de terras raras pesadas ainda é dominado pela China, torna-se urgente desenvolver alternativas no Ocidente.

O SPREC é único no mundo. Nasceu da experiência da Aclara em separação e purificação de terras raras, já foi testado com sucesso em nível de pilotagem e atualmente está sendo aplicado pela empresa em seu projeto Carina. O Brasil tem o potencial de se tornar o primeiro país a contar com essa tecnologia.

A Aclara já projeta trazer ao país sua própria tecnologia de produção do SPREC, e não apenas a extração da matéria-prima.

Ao internalizar essa etapa de processamento avançado em território nacional, a companhia agrega valor tecnológico na origem da cadeia produtiva, fortalece a cadeia de suprimentos brasileira e posiciona o Brasil como fornecedor de um produto estratégico para a mobilidade elétrica, a geração de energia e a eletrônica avançada — não apenas como exportador de matéria-prima bruta.

O Brasil está começando a atrair tecnologia de processamento de terras raras, e a Aclara se encontra na vanguarda desse movimento.

A mobilidade elétrica será construída com soluções combinadas: baterias, semicondutores, imãs e processos industriais com papéis complementares. Um produto de alto valor agregado e composição altamente previsível amplia as possibilidades de pesquisa nesse conjunto, contribuindo para motores e geradores mais eficientes — desde o veículo que consome menos energia até a turbina que gera mais eletricidade.

A inovação em materiais costuma ocorrer longe dos olhos do público e raramente chega ao mercado como produto acabado. Ainda assim, é ela que sustenta as transformações mais importantes da indústria — e o SPREC, único no mundo e cada vez mais desenvolvido e, no futuro, produzido em solo brasileiro, faz parte desse movimento.

*José Palma é vice-presidente executivo da Aclara Resources

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.