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Reforma tributária traz simplificação para transporte, dizem especialistas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Reforma tributária traz simplificação para transporte, dizem especialistas

O setor de transporte coletivo foi beneficiado pela nova reforma tributária, que trouxe simplificação das cobranças de impostos e previsibilidade para as operações, além de abrir espaço para novas discussões relevantes dentro do segmento.

Esse foi um dos debates do CNN Talks: A Economia da Mobilidade, evento realizado pela CNN Brasil nesta quarta-feira (12).

Executivos e especialistas debateram as principais mudanças provocadas pela alteração no sistema tributário e destacaram que, ainda que com um aumento de resíduos, as novas regras propiciam um ambiente menos focado em alíquotas e mais aberto a debates sobre questões do setor.

“Dentro das discussões da reforma tributária, o que vale destacar aqui é que efetivamente ela traz um ganho para o país”, afirma Pablo Freitas Motta, CFO da Marcopolo.

Segundo o executivo, ela traz consigo um privilégio para bons pagadores e incentiva a governança das empresas.

“Aquele que deixava de pagar acabava tendo uma competitividade diferenciada frente àquele bom pagador, então acho que a gente dá um passo em termos de governança, em termos de transparência, e isso é muito positivo para todos os setores”, destaca Motta.

Giancarlo Chiapinotto, que é sócio da PwC Brasil, também chama atenção para o papel da transição longa, que, na sua avaliação, permite que os operadores entendam melhor como funciona o sistema atual e o que muda com a reforma.

Para o economista Bernard Appy, é necessário destacar que o novo sistema tributário traz consigo a desoneração de investimentos, exportações e outras etapas na produção do setor, o que, efetivamente, traz benefícios.

Impacto inicial de resíduos tributários

Apesar dos pontos positivos, os palestrantes chamaram atenção para o impacto inicial dos resíduos tributários na primeira etapa da reforma.

“Numa primeira análise, verificamos um aumento desse resíduo tributário num primeiro momento e que pode, sim, influenciar a capacidade de investimento dessas empresas de ônibus”, destaca Chiapinotto.

Motta também afirma que, principalmente no segmento de ônibus urbano, existe um aumento do resíduo, que pode trazer problemas dentro do cenário.

“A tendência é que o setor demande ainda mais subsídios, uma vez que esse resíduo aumenta e, consequentemente, o custeio desse operador vai ficar ainda pior a partir do momento em que nós tivermos a transformação, saindo das alíquotas tradicionais para as novas alíquotas.”

Na avaliação de Appy, o resíduo traz um impacto que não é desejável, mas, em compensação, existe um contexto que estimula o investimento no transporte coletivo urbano.

“Eu acho importante fazer essa discussão com calma. Olhando o longo prazo, o que podemos fazer para ter um desenho mais racional?”, completa o economista.

Reforma tributária como oportunidade

Chiapinotto considera que, com a reforma, torna-se possível diminuir o foco na questão tributária e destinar a atenção para outros aspectos da produção.

“O tributário vai continuar estratégico, mas ele não tem que ser a preocupação número um”, afirma o executivo.

Ele também destaca que o período de transição permite que o setor realize as adaptações necessárias para lidar com o novo modelo.

Para o CFO da Marcopolo, as oportunidades também se apresentam pela abertura de novos focos de debate.

“Dentro desse contexto, a gente vê sim um cenário onde a gente vê uma operação mais simplificada, onde a gente traz um pouco menos de enfoque para o debate, de carga, por questões de planejamento, por questões de interpretação e a gente busca focar mais no negócio”, afirma.

Motta ainda destaca a possibilidade que a reforma tributária traz para a discussão de um tratamento diferenciado da carga sobre biocombustíveis e de incentivos a soluções híbridas e verdes.

“A gente vê que dentro da reforma tributária, existe a possibilidade de ser dado um tratamento diferenciado do ponto de vista de carga tributária para os biocombustíveis. A reforma estimula isso.”