Gianni Infantino, presidente da Fifa, abandonou seu plano controverso de vender participações na Copa do Mundo e outras competições para investidores privados, mas segue cada vez mais pressionado no cargo.
Após dar às 211 federações filiadas à organização até 19 de setembro para apoiarem uma proposta de investimento privado que poderá fornecer a cada associação até 40 milhões de dólares (cerca de R$ 207 milhões) em financiamento, o mandátario teria tomado outra medida desesperada para se manter na presidência da entidade.
Segundo o jornalista Martín del Palacio, a Federação Mexicana de Futebol teria recebido uma proposta de Infantino para deixar a Concacaf e passar a integrar a Conmebol.
Em troca, o dirigente suíço buscaria o apoio do México na próxima eleição presidencial da Fifa.
O voto da FMF seria considerado importante para os planos de Infantino de permanecer no comando da entidade. A possível mudança de confederação, porém, dependeria da aprovação de diferentes instâncias governamentais.
No México, a ideia seria vista com bons olhos, mas sua concretização aconteceria apenas se Infantino se continuasse no comando da instituição.
A aproximação também ocorreria em meio ao desgaste de Infantino com outras confederações. A Uefa, a Concacaf e a Afc já se posicionaram contra iniciativas do dirigente e cobraram transparência do dirigente, afirmando “que perderam a confiança em sua liderança”.
A FMF, por outro lado, já havia demonstrado apoio a Infantino em um comunicado conjunto com a Conmebol, embora a manifestação tenha sido considerada tímida diante da pressão pela saída do suíço.
Bônus e ônus
No aspecto esportivo, uma eventual entrada na Conmebol permitiria ao México enfrentar com maior frequência grandes seleções como Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia, aumentando o nível de competitividade da equipe.
A mudança, no entanto, também traria dificuldades, principalmente por causa das longas viagens e dos custos adicionais.
Além disso, seria necessário conciliar o calendário dos clubes mexicanos, que poderiam disputar a Libertadores e a Sul-Americana, com os compromissos da seleção. A FMF também teria de renegociar contratos comerciais para viabilizar a realização de partidas do México nos Estados Unidos.
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Dúvidas na reeleição
Antes da Copa do Mundo, a reeleição de Infantino para um quarto mandato, durante o Congresso da Fifa, marcado para março, no Marrocos, parecia praticamente garantida. Não havia candidatos rivais no horizonte.
O cenário mudou radicalmente após três dias de crise, período em que até as confederações mais fiéis ao presidente demonstraram indignação com a falta de consultas sobre a proposta. Infantino também passou a ser acusado de colocar em risco a essência do futebol.
Ainda é cedo para descartar Infantino
Embora seja praticamente certo que candidatos rivais surjam antes da eleição presidencial, ainda pode ser cedo para descartar a permanência de Infantino, mesmo após o desgaste provocado pela crise, caso ele decida concorrer.
A proposta de venda de participação na nova empresa sempre teve como principal público as 211 federações nacionais que terão direito a voto. Muitas delas dependem dos recursos da Fifa para manter as contas em dia e foram beneficiadas pela política de distribuição de verbas adotada durante a gestão de Infantino.
Para ampliar o mandato até 2031, Infantino precisaria obter dois terços dos votos no primeiro turno ou maioria simples nas etapas seguintes. Segundo Dorfman, uma demonstração de arrependimento poderia ajudar o dirigente a recuperar apoio.

