A remoção dos moradores da Favela do Moinho, localizada nos Campos Elíseos, região central de São Paulo, tornou-se um dos temas centrais da disputa eleitoral pelo governo do estado de São Paulo em 2026. A operação, realizada em abril de 2025, gerou um embate público entre o governo estadual e o governo federal, que se estendeu até os debates eleitorais. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°.
A Favela do Moinho ocupava um terreno de propriedade do governo federal, que o cedeu ao governo do estado de São Paulo para viabilizar a operação de remoção.
Segundo Pedro Venceslau, a área era marcada pela forte presença do crime organizado, especialmente do PCC, e funcionava como um ponto de abastecimento de drogas para a região da Cracolândia.
Além disso, o local estava previsto para receber o novo centro administrativo de São Paulo.
Divergências entre governo estadual e federal
A operação foi conduzida pelo governo de São Paulo, com atuação da Polícia Militar para garantir a segurança das equipes de demolição e para assegurar a saída das famílias que ainda resistiam à remoção.
Essa atuação da PM foi alvo de críticas por parte do governo federal. No debate realizado pela TV Bandeirantes, Fernando Haddad (PT) afirmou que Tarcísio de Freitas (Republicanos) deveria ter agradecido ao governo federal pela cessão do terreno, crítica que repetiu em entrevista à CNN, quando também questionou a abordagem da Polícia Militar na operação.
Em resposta, Marcelo Branco, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo, afirmou que o agradecimento deveria ser feito na direção contrária.
Segundo ele, a área era federal há 30 anos e teria sido negligenciada por todo esse período. “São Paulo é que ajudou a resolver uma questão sensível com o apoio do governo federal”, disse Branco, conforme relatado por Pedro Venceslau.
Justificativa para a ação da Polícia Militar
Sobre a atuação da Polícia Militar, Marcelo Branco explicou que a intervenção foi necessária diante de ameaças de traficantes contra os moradores que tentavam deixar o local.
Segundo ele, havia intimidações de que quem saísse poderia sofrer retaliações, o que tornou imprescindível a presença da PM para garantir a segurança das famílias durante a saída.
O secretário também afirmou que o governo federal só passou a atuar na Favela do Moinho quando a situação já era irreversível, ou seja, após o governo estadual ter concluído a maior parte da operação de remoção e já estar oferecendo unidades habitacionais às famílias.
De acordo com as informações apuradas, todas as famílias aceitaram sair após um longo processo de negociação com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). Aquelas que não receberam unidade habitacional obtiveram verba para pagamento de aluguel social.

