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Voto por rejeição define escolha de quase 25% do eleitorado, aponta Nexus

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Voto por rejeição define escolha de quase 25% do eleitorado, aponta Nexus

A pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (10), aponta empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um possível cenário de segundo turno. Os números indicam 47% das intenções de voto para Lula e 44% para Flávio.

Em entrevista ao Hora H desta segunda, Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destacou um ponto que chama atenção nesta nona rodada da pesquisa: a taxa de aprovação do governo oscilou negativamente. Atualmente, 46% dos brasileiros aprovam o governo, enquanto 49% o reprovam.

“Entre 7% e 8% do eleitorado são pessoas que reprovam o governo, mas, por outro lado, rejeitam Flávio. Isso faz Lula liderar, mesmo tendo uma reprovação menor que sua aprovação. Uma parte do eleitorado, ao rejeitar Flávio, acaba, mesmo desaprovando Lula, votando nele num cenário de segundo turno”, explicou Tokarski.

A pesquisa também mediu a lógica do voto por rejeição ao adversário. De acordo com Tokarski, em oito das nove rodadas realizadas desde o final de março, cerca de 23% do eleitorado afirma que votaria em um dos candidatos não por considerá-lo melhor, mas para derrotar o outro.

“A gente está vivendo, em parte do eleitorado, um processo de escolha do que o eleitor considera o candidato menos pior“, disse.

No que diz respeito ao potencial de voto, 50% dos eleitores admitem que poderiam votar em Lula, enquanto esse índice para Flávio Bolsonaro é de 46%. Já a rejeição dos dois está praticamente empatada: Flávio registra 50% e Lula, 48%.

Para Tokarski, é essa diferença no potencial de voto que tem sustentado a vantagem de Lula nas simulações. “Ele tem um estoque maior de possíveis votos. E nessa batalha de rejeição, ele está ganhando por pouca coisa”, avaliou.

Voto mais personalista

Questionado sobre o impacto das diferentes configurações de alianças nos estados sobre a decisão do eleitor, Tokarski avaliou que o voto presidencial tende a ser mais independente.

“Em vários estados do Nordeste, políticos de direita não querem se indispor com a candidatura de Lula, porque ele tem uma votação muito expressiva e uma aprovação acima de 60% na maior parte dos estados”, exemplificou Tokarski.

Segundo ele, ser oposição declarada a Lula poderia dificultar candidaturas ao Senado, à Câmara ou aos governos estaduais da região.

Ele citou também que eleitores de Lula não necessariamente votam em Fernando Haddad (PT) para o governo em São Paulo, assim como eleitores de Tarcísio de Freitas (Republicanos) não obrigatoriamente transferem esse voto para Flávio na disputa presidencial.

“Tarcísio em São Paulo tem um número muito mais significativo de intenções de votos que Flávio Bolsonaro para presidente. O voto para presidente é o voto mais personalista“, resumiu.

Dinâmica eleitoral

Tokarski também destacou que o início oficial das campanhas, previsto para o próximo domingo (16), poderá influenciar o cenário. Com a abertura do período eleitoral, os candidatos poderão realizar ataques, participar de debates e conceder entrevistas.

No caso de Lula, o pesquisador apontou que, desde 4 de julho, restrições eleitorais impediram inaugurações de obras e propaganda governamental.

“A partir do dia 16, ele vai reabrir a caixa de ferramentas, falar daqueles programas todos que foram lançados ali em maio, junho, quando ele teve justamente o seu melhor desempenho nas pesquisas”, disse.

Apesar das incertezas, Tokarski avaliou que os dados não apontam para grandes surpresas. “Ao que parece, nada tem levado a crer que a gente vai ter uma grande surpresa que não seja a possibilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.”

O levantamento da Nexus ouviu 2.001 eleitores de todo o país entre os dias 7 e 9 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral.

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