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Túmulo de ex-presidente da ditadura é vandalizado no Rio; entenda

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Túmulo de ex-presidente da ditadura é vandalizado no Rio; entenda

O túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici foi vandalizado com pichações no Cemitério São João Batista, localizado em Botafogo, na zona Sul do Rio de Janeiro. O ato foi identificado pela equipe do projeto cultural Necrotour RJ, que realiza pesquisas e visitas guiadas em necrópoles cariocas.

O espaço cemiterial em questão é gerido pela concessionária RioPax, que optou por não de posicionar sobre o caso.

“Ditadura nunca mais”

A pichação com a frase Ditadura nunca mais foi constatada por Samantha Lobo, idealizadora do projeto Necrotour RJ, que realizava uma visita técnica ao local.

Lobo afirmou que o vandalismo ocorreu de forma isolada, estimando que a pichação tenha sido feita na véspera de sua constatação, no sábado (8). A pesquisadora ressaltou que a situação não decorre de negligência na segurança ou manutenção por parte da administração do cemitério, observando que o túmulo de Médici costuma ser bem conservado e que há circulação constante de funcionários de limpeza da RioPax na área.

A reportagem buscou a PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) e PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro). A PMERJ informou que a corporação não atendeu ocorrências no local, e que “não realiza patrulhamento no interior de cemitérios”. A PCERJ informou que “até o momento, não houve registro com essas características na delegacia da área”.

O que diz a lei sobre a violação de sepulturas

A ação de danificar ou conspurcar monumentos funerários é tipificada como crime pela legislação penal brasileira. Conforme o Artigo 210 do Código Penal, a conduta de violar ou profanar sepultura ou urna funerária é considerada um crime contra o respeito aos mortos.

A punição prevista em lei para os responsáveis por esse tipo de infração é a pena de reclusão, de um a três anos, além de multa.

Quem foi Emílio Garrastazu Médici

Nascido em Bagé (RS) no dia 4 de dezembro de 1905, Emílio Garrastazu Médici seguiu carreira militar nas Forças Armadas, alcançando o posto de general-de-exército. Ao longo de sua trajetória, exerceu funções públicas como a chefia do Serviço Nacional de Informações (SNI), entre os anos de 1967 e 1969, e o comando do III Exército.

Médici ocupou o cargo de presidente da República do Brasil no período de 1969 a 1974. Seu governo caracterizou-se pelo fenômeno econômico do “milagre brasileiro”, que registrou forte expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

Contudo, a gestão também foi marcada pela centralização de poder, censura à imprensa, repressão a grupos armados oposicionistas e a manutenção de medidas excepcionais de governo, incluindo as prerrogativas do Ato Institucional nº 5 (AI-5).

O ex-presidente faleceu no Rio de Janeiro em 9 de outubro de 1985, aos 79 anos.

Necrotour RJ e a preservação histórica

A identificação do incidente ocorreu durante as atividades do Necrotour RJ, um projeto independente de necroturismo e dark tourism coordenado por Samantha Lobo.

Lobo é pedagoga, professora da rede pública municipal de educação do Rio de Janeiro, guia de turismo credenciada e associada à Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC).

O projeto promove visitas guiadas nos cemitérios cariocas com o propósito de destacar esses espaços como ambientes de memória, arte, história, patrimônio e identidade cultural, resgatando a trajetória de personalidades históricas e fatos marcantes do município.

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    O túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, foi vandalizado com a pichação da frase "Ditadura nunca maisSamantha Lobo/Necrotour RJ

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    Samantha Lobo, idealizadora do projeto cultural Necrotour RJ, identificou a pichação recente durante uma visita técnica sem públicoSamantha Lobo/Necrotour RJ

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    A pesquisadora apontou o ato como pontual, isentando a concessionária RioPax, administradora do cemitério, de negligência, pois a vigilância e a limpeza no local são constantesSamantha Lobo/Necrotour RJ

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    Deteriorar ou pichar monumentos fúnebres configura crime contra o respeito aos mortos, conforme o Artigo 210 do Código Penal, que tipifica a violação ou profanação de sepulturaSamantha Lobo/Necrotour RJ

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    A legislação brasileira determina que os autores desse ato de vandalismo fiquem sujeitos à pena de reclusão, de um a três anos, além de multaSamantha Lobo/Necrotour RJ