Uma cadela da raça maltês virou assunto entre os telespectadores da novela “Quem Ama Cuida” nas últimas semanas. Batizada de Maria Antonieta na trama, a companheira de estimação da personagem vivida por Isabel Teixeira desperta curiosidade não só pelos acessórios que usa em cena, mas por uma característica física pouco comum entre cães: indícios de albinismo.
Fora das telas, a cadela responde por Meg, e a repercussão em torno dela reacendeu um debate que interessa a tutores de pets muito além do universo da ficção, afinal, nem todo animal de pelagem branca é albino, e a confirmação da condição depende de avaliação clínica, não apenas da aparência.
Quem é Meg, a cadela por trás de Maria Antonieta
Meg é uma cadela da raça maltês que apresenta traços compatíveis com o albinismo, entre eles pelagem completamente branca, pele e mucosas de tom rosado, além de focinho e bordas dos olhos igualmente rosados.
A combinação chamou a atenção de quem acompanha a novela “Quem Ama Cuida“, já que o maltês é naturalmente conhecido por sua pelagem clara, o que, à primeira vista, pode confundir quem tenta identificar o albinismo apenas pela cor do pelo.
O que caracteriza o albinismo em cães
O albinismo é uma condição genética e hereditária, resultado de mutações nos genes responsáveis pela síntese de melanina, pigmento que define a cor da pele, dos pelos e dos olhos tanto em humanos quanto em animais.
Quando a produção desse pigmento é reduzida ou inexistente, o organismo do animal fica com pouca ou nenhuma coloração em diferentes regiões do corpo, o que inclui pele, mucosas e íris.
Segundo o Merck Veterinary Manual, publicação de referência internacional em medicina veterinária, o albinismo verdadeiro é raro entre cães e não deve ser confundido com outras variações genéticas de cor. A publicação reforça que a pelagem clara isoladamente não é suficiente para caracterizar a condição, já que diversas raças possuem esse traço por natureza, como é o caso próprio do maltês, que é um exemplo disso.
Maltês já é uma raça branca: como diferenciar do albinismo
Essa sobreposição entre a cor natural da raça e os sinais do albinismo é justamente o que torna o diagnóstico mais delicado. Como o maltês já nasce com pelagem branca por padrão genético da raça, a suspeita de albinismo não pode se apoiar apenas na aparência do pelo. É preciso observar outros indícios, como a pigmentação da pele, do focinho, das pálpebras e dos olhos, para diferenciar um cão simplesmente branco de um cão albino.
Essa distinção também vale para outras raças de pelagem clara, não apenas para o maltês. A recomendação de especialistas em medicina veterinária é sempre a mesma: qualquer suspeita de albinismo deve ser avaliada por um profissional, e não definida por comparação visual com fotos ou vídeos de outros animais.
Quando a mutação é confirmada por exame veterinário
A confirmação do albinismo em um cão passa por uma avaliação clínica detalhada, feita por um médico-veterinário. Esse exame observa a pigmentação em conjunto (pele, mucosas, focinho e olhos) e não isoladamente a cor da pelagem.
É esse conjunto de sinais que permite diferenciar o albinismo genuíno de outras mutações que também resultam em pelo claro, mas sem o mesmo impacto na pigmentação da pele e dos olhos.
Os cuidados que um cão albino exige
A melanina não tem apenas função estética: ela protege o organismo contra os raios ultravioleta e participa do desenvolvimento da visão. Por isso, cães com baixa ou nenhuma produção desse pigmento tendem a ter maior sensibilidade à luz solar, o que aumenta o risco de queimaduras na pele e pode estar associado a alterações visuais, conforme aponta o Merck Veterinary Manual.
Na prática, isso significa que tutores de cães albinos precisam redobrar alguns cuidados do dia a dia. Reduzir a exposição do animal ao sol nos horários de maior incidência de raios UV é uma das principais recomendações, assim como manter acompanhamento veterinário regular para monitorar a saúde da pele e dos olhos.
Quando o uso de protetor solar for indicado, a orientação de especialistas é recorrer apenas a produtos formulados especificamente para uso animal, já que protetores solares de uso humano podem conter substâncias tóxicas para os cães.

