Laudo do IML (Instituto Médico Legal) aponta que o advogado Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado sem vida em julho, na zona oeste de São Paulo, foi morto por golpe do “Boa noite, Cinderela”. Os resultados foram confirmados na última segunda-feira (10).
O laudo aponta contaminação por álcool etílico e cetamina, substâncias utilizadas para o golpe. Também foi detectado a presença de norcetamina.
A Polícia Civil já realizava investigações sobre suspeita do golpe e, de acordo com o advogado contratado pela família de Pedro, também ocorrem investigações sobre duas transações financeiras feitas nas contas bancárias da vítima após o crime, nos valores de R$ 20, no centro de São Paulo, para a compra de cigarros e cerveja, e outra de R$ 9.800, que acabou não sendo concluída em razão de um bloqueio realizado pelo aplicativo.
Relembre o caso
Pedro Ely Cordeiro era natural do Rio de Janeiro, mas estava em São Paulo e saiu com um amigo para assistir ao jogo da Copa do Mundo em um bar da Vila Madalena, no dia 9 de julho.
O boletim de ocorrência registra que o advogado e seu amigo pegaram um carro de aplicativo na madrugada do dia 10 de julho, por volta das 0h30, e foram da Rua Aspicuelta, na Vila Madalena, até a Rua Canário, em Moema, na zona sul, onde o colega de Pedro desembarcaria.
Ainda de acordo com os registros, a corrida foi encerrada à 0h48, e o combinado era que Pedro seguiria para o seu hotel, na Vila Olímpia, em outro carro de aplicativo. Esse amigo, contudo, não sabe informar se o advogado realmente desembarcou para solicitar outro veículo ou se permaneceu no mesmo carro.
Segundo o advogado da família de Pedro, o motorista do veículo de aplicativo o teria levado de volta ao local de onde ele partiu com o amigo, na Rua Aspicuelta.
Testemunhas teriam visto a vítima passando mal e se deitando no chão na altura do número 1.108 da Rua Fradique Coutinho, que, apesar de estar localizada em Pinheiros, fica a poucos metros da Rua Aspicuelta.
Ele chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou que Pedro estava com as pupilas dilatadas, havia vomitado e não apresentava sinais de violência pelo corpo. Ele não resistiu e morreu no local.
“Tem um delay de duas horas, que foi o momento em que ele foi para Moema e voltou para a Vila Madalena. E, quando voltou, foi encontrado pela população”, disse o defensor.
Pedro foi localizado sem seus documentos e, por isso, não foi possível fazer sua identificação de forma imediata. A família notou a falta de contato – a última atividade no celular foi a visualização do WhatsApp às 5h da madrugada do dia 10 – e registrou o desaparecimento do advogado.
Pedro Ely foi identificado no dia 14, após a realização de um exame papiloscópico (de impressões digitais).
*Sob supervisão de Thiago Félix

